Pelo menos em relação à sua novela do horário nobre, a Globo continua rindo à toa. Nunca se viu tamanha fartura em audiência e faturamento. O clima é dos melhores no Projac. Crise? Só de vaidades. Mas justificável. E como se não bastasse, Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, começa a desafiar os prognósticos. Seus índices têm aumentado em um período onde o Ibope, tradicionalmente, acusa queda de audiência, ou seja, o mês de dezembro, em função da diminuição no número de aparelhos ligados. Nesses primeiros dias, no entanto, os índices de Senhora cresceram ainda mais, com pico de até 61 pontos. É uma loucura! Mas talvez haja uma explicação para tanto. Já prevendo esse fenômeno (o telespectador perde muito interesse pela TV nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, por causa das férias), e também por ser um bom conhecedor do seu universo de trabalho, Aguinaldo Silva optou por escancarar justamente agora, ao público, o principal drama da história: Isabel (Carolina Dieckmann) ficou sabendo que não é Isabel, filha de Nazaré, mas Lindalva, a filha seqüestrada de Maria do Carmo (Suzana Vieira). O autor queimou um trunfo importante, é verdade, afinal ainda restam 57 capítulos de texto pela frente e a trama só termina no dia 14 de março. É muito chão, para quem tem o desejo de entrar para o seleto grupo dos escritores responsáveis pelas cinco maiores audiência da Rede Globo. Entretanto, fica a expectativa para os próximos episódios de Senhora. Que a imaginação de Aguinaldo para novos conflitos continue trabalhando como um relógio.