A arte visual contemporânea há muito perdeu a vergonha, no bom sentido, e os limites. Suportes, materiais, estrutura, quase tudo de novo e diferente já foi experienciado. Para esses artistas antenados com linguagens modernas e abusadas, a Funarte criou o Projeto Artes Visuais, inaugurado no final de setembro com a exposição de dois artistas goianos, Sandro Gomide e Marco Alessandro, e uma paraense, Andréa Feijó, que segue até o dia 17 deste mês.
O aparente minimalismo do painel de Sandro Gomide não esconde a típica profusão de técnicas que tanto marcaram a arte moderna nas últimas décadas. Um mesmo rosto desenhado sobre papel recebe tratamento e materiais diferentes num belo e hipnótico efeito.
O outro goiano da mostra, Marco Alessandro, por meio de uma técnica mais comportada, a colagem, usa a linguagem dos quadrinhos para investir num mundo tresloucado que mistura espirituosidade e sexo. O trabalho, intitulado Entre Sexo e Deus é uma alegoria de um planeta amoral e fervilhante.
Andréia Feijó utiliza desenho em cera, gravado sobre bloco de parafina, para criar esculturas telúricas. Pinturas, traços simples de cores fortes, contrastam com o opaco da cera provocando uma viagem sensorial marcante. A generosidade do material foi extremamente bem aproveitada pela artista plástica paraense. Mais um exemplo de que como a arte contemporânea ainda tem o poder de surpreender.
Os três artistas foram selecionados entre 165 artistas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste que se inscreveram no projeto.
O Projeto Atos Visuais pode ser visto na Galeria Funarte Fayga Ostrower, das 9h às 21h.