Em abril, o ministro da Saúde, Humberto Costa, lançou o Consenso Brasileiro de Mama, que tem entre seus objetivos detectar precocemente o câncer de mama. Trata-se de um conjunto de regras e normas criadas por 70 especialistas de todo o País, que vai nortear a política nacional para o controle da doença.
Entre as novidades, está a não estimulação ao auto-exame, anteriormente preconizado como principal arma de prevenção. De acordo com o ministro, “o auto-exame é indicado, mas como uma solução individual ele é ineficaz. É importante que a mulher possa fazer o seu auto-exame, mas uma vez por ano ela deve ser examinada por um profissional de saúde. Essas ações conjuntas realmente permitem que a gente previna mais e detecte mais precocemente este tipo de câncer”.
Com essa nova estratégia, o Ministério pretende reduzir em pelo menos 20% a taxa de mortalidade provocada pelo câncer de mama e ao mesmo tempo incrementar a cirurgia plástica restauradora de mama.
Auto-exame Uma pesquisa russa apresentada no IV Congresso Europeu sobre o câncer de mama, realizado na Alemanha no início deste ano, apontou que o auto-exame não é eficaz. Segundo o Ministério da Saúde, as recomendações brasileiras estão alinhadas com os estudos internacionais.
Com as novas estratégias do Consenso, o Ministério pretende reduzir em pelo menos 20% as taxas de mortalidade por câncer de mama no Brasil.
O mastologista Cézar Augusto Pigatto explica que quando o nódulo é verificado já tem 0,5 centímetro e deve ter aproximadamente dois anos. “Não se consegue apalpar nada antes disso”, diz. Mesmo assim, o médico continua a recomendar o auto-exame. “Algumas mulheres só procuram o médico quando sentem alguma coisa estranha, um nódulo”, relata.
Pigatto diz ainda que a política de saúde pública é desestimulante. “Às vezes, a mulher espera seis meses para conseguir fazer a mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatiza.
Para o Ministério da Saúde, o diagnóstico precoce aumenta significativamente a perspectiva e a qualidade de vida. A recomendação é que todas as mulheres com mais de 40 anos façam o exame clínico.