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Consagração do pop

Arquivo Geral

04/01/2010 0h00

Por Djenane Arraes
djenane.arraes@jornaldebrasilia.com


A imagem de difícil que Lulu Santos transmite ao seu público é diretamente proporcional ao talento deste que é pioneiro do pop nacional. Isso vem desde o Vímana – banda que formou com Lobão e Ritchie no final da década de 1970 -, que depois culminou no clássico Tempos Modernos (1982), quando mostrou ser um grande hitmaker. Pois assim continua ao longo de 30 anos de carreira. Em seu mais recente trabalho, Singular, Lulu produziu um disco que faz jus
ao nome que o batizou. “Escolhi este nome por causa da canção homônima. Achei que a palavra consegue sintetizar as intenções do álbum: ser próprio, peculiar”, confirma o cantor.


Por que o 22º disco de Lulu Santos seria peculiar? Começa por sua produção “ao contrário”. “Em vez de fazermos um disco e depois procurarmos colocação, esta veio primeiro e solicitou que houvesse uma plataforma para lançamento. Ainda que as músicas estivessem prontas e testadas no palco e mesmo no estúdio, precisou a demanda externa do mercado, por meio da inclusão da então demo de Baby de Babylon na trilha da novela Viver a Vida”. A partir daí criou-se, em parceria com o produtor Hiroshi Mizutani, um produto que inova dentro das características do cantor.


As faixas Spydermonkey, Na Boa, Restinga, Procedimento e Zazueira são quasde sambas e também complementares. Mas não há reco-reco, tamborim e zabumba. Lulu e Hiroshi recriaram o ritmo nos instrumentos eletrônicos e adicionaram texturas. Detalhes estes que trouxeram perspectivas interessantes. O samba não precisa ser encarado ou como um produto sofisticado e sem tesão que cantoras e bandas como a Los Hermanos quase impuseram na década de 2000. Nem mesmo ser preservado da forma acelerada que anima festas populares. O samba, como essência rítmica, tem possibilidades muito maiores. Lulu Santos mostrou uma delas ao conectá-lo com o pop. “Os dois temas instrumentais [Spydermonkey e Restinga] são meditações mais antigas que só agora acharam a sonoridade que lhes faz justiça. É uma questão de aprimoramento mesmo, só vem com tempo, tentativa, erro e eventual acerto”, explica Lulu.


Procedimento – a mais samba, no sentido tradicional -, é a faixa que apresenta soluções mais bonitas, além da letra bem construída. Em uma linda melodia (pop), Lulu na canção que “Sempre ouvi falar de liberdade como coisa/ a ser clamada através de sacrifício/ mas o grito muitas vezes sai da garganta de quem/ escravo é da própria obsessão, fala que não”. Boas letras, aliás, estão em todo Singular.


Junto com essas inovações, estão baladas e as levadas dançantes tradicionais. Coisas para festas e afins. Interessante é que o belo trabalho não deslumbra Lulu. “Na melhor das hipóteses, que ele [Singular] gere interesse e curiosidade nas pessoas e que elas, em última instância, o desejem ter para si”, finaliza.


Singular
Lulu Santos. EMI. 12 faixas.
Avaliação: ótimo.

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