No metiê deste chamado novo cinema brasileiro é raro encontrar uma comédia lúdica e tão colorida como a nova produção bancada pela RioFilme e dirigida por Luiz Carlos Lacerda, Viva Sapato!. Trata-se de uma clara referência ao Viva Zapata!, cinebiografia do caudilo da Revolução Mexicana. Porém, a temática não é nem um pouco ligada à da trajetória de Emiliano Zapata. Pelo contrário, esta é uma comédia brasileira como a dos tempos de Carmem Miranda, com direito a penachos multicores na cabeça das dançarinas.
A grande aposta de Lacerda para este filme é no elenco. O papel principal fica com Laura Ramos, cujo talento fora reconhecido com o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. A principiante Laura contracena com outro nome pouco conhecido – Jorge Sanz –, em meio a um elenco formado por figurões da TV brasileira, como Irene Ravache, Ney Latorraca, Marcello Anthony, Paula Burlamaqui, Isadora Ribeiro, José Wilker e Maitê Proença.
Na trama, a personagem de Laura Ramos, Dolores, é uma bela dançarina cubana que decide abandonar seu casamento desastroso para abrir um restaurante à beira-mar na cidade cubana de Havana. Para conseguir tal feito, ela conta com a ajuda de sua tia brasileira Isolda (Ravache), que lhe promete dar um presente em dinheiro para a conclusão das obras do estabelecimento. Quando se encontra com a tia, Dolores fica furiosa porque é presenteada com um par de sapatos de dança no lugar da ajuda financeira prometida.
Sem dinheiro, vende os sapatos por alguns trocados. Todos os seus planos parecem ter ido por água abaixo, até que ela descobre que os calçados escondiam nos grandes saltos um maço de dinheiro, suficiente para alcançar sucesso com o restaurante. Arrependida do que fizera, resta a Dolores partir em busca dos agora valiosos sapatos. À medida que percorre as ruas, bares e cabarés de Havana, Dolores faz amigos e arranja até uma paixão que lhe ajuda a recuperar o dinheiro.
Viva Sapato! ganhou o prêmio de Melhor Filme no voto popular do Festival de Cinema Brasileiro de Miami e ainda levou quatro toféus no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, nas categorias de Melhor Ator (para Jorge Sanz), Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora e de Melhor Atriz (Laura).