Ai de ti, Copacabana. Antiga referência de paraíso brasileiro, o bairro carioca mantém seu fascínio mesmo nos dias de hoje, quando sua superpopulação tem de dormir com um olho fechado e o outro em vigília. O Diabo a Quatro é mais uma ode a esse “purgatório da beleza e do caos” de que fala Fausto Fawcett em Rio 40 Graus. A sombra de Fawcett, aliás, paira espessa na descrição desses personagens tão cariocas, quatro dos quais escapam, um dia, rumo a uma vida mais bucólica no rumo das Gerais.
Diabo a Quatro tem boa dinâmica, em que pese também ser assombrado, a maior parte do tempo, pelos elementos de Cidade de Deus – inclusive gente do mesmo elenco. A ação chega a estressar o espectador, abduzido por um caleidoscópio de violência urbana, mas é aí mesmo, no olho desse furacão, que a abordagem se faz feliz. Mostra, enfim, a pluralidade desses personagens que, mais uma vez expostos no cinema como a fina flor da baixa laia, costuram sensíveis perfis humanos. O senador corrupto, a polícia colaborando rasgado na perpetuação da rede de tráfico, o oprimido no caminho sem volta, todos estão ali, na fronteira tênue entre deslumbramento e miséria. Real, corajoso e apaixonante.