Oveterano ator Emiliano Queiroz já fez de tudo. Começou a carreira no teatro (deu vida à obra de Plínio Marcos), pulou para a telona e se consagrou um dos mais famosos coadjuvantes da TV brasileira – desde a fundação da Rede Globo, em 1965. Dos personagens, constantemente à sombra dos protagonistas, Emiliano deu caras e bocas a uma diversidade de figuras antológicas da telinha. Como não lembrar (pelo menos, quem já passou dos 30) do sossegado Dirceu Borboleta na primeira novela em cores no Brasil, O Bem Amado? Cearense de Aracati, o ator recebeu justa homenagem no 15º Cine Ceará, em Fortaleza, onde foi agraciado com o Troféu Eusélio Oliveira e um minidocumentário de sua carreira. Na ocasião, na noite de segunda-feira, Emiliano concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília. Ele fala de sua carreira agitada no cinema – atualmente pode ser visto em cartaz no filme Casa de Areia e ensaia com Selton Mello para um novo longa-metragem. Ele também conta um pouco sobre seu personagem na próxima novela das seis da Rede Globo, Alma Gêmea (de Walcyr Carrasco), com estréia agendada para o dia 20 deste mês.
“Quando era garoto e fazia teatro, sonhava em fazer cinema. Agora posso dizer que já vivo este sonho”
Seu nome já é título do Teatro Sesc Ceará, agora veio este troféu. Como é a sensação?
Estou visivelmente emocionado. E o que me emocionou foi receber uma homenagem na minha terra e ser aplaudido tão calorosamente por tanta gente jovem. Me dá muita satisfação saber que tenho mais alguma coisa para oferecer a essa geração.
Você mora no Rio de Janeiro, certo? Traz muitas lembranças voltar para o Nordeste?
Moro, mas ao ver este festival no seu 15º ano lembro sim de quando era garoto e fazia teatro. Sonhava em fazer cinema. E agora posso dizer que já vivo este sonho.
Depois do papel do Seu Chico em Casa de Areia, existe algum projeto em que esteja participando no cinema?
Só neste período entre o término das filmagens de Casa de Areia e o lançamento, já gravei participação em três filmes. Estou em O Amigo Invisível (Maria Letícia), Mulheres do Brasil (Malú de Martino) e O Cobrador (Beth Lopes), uma produção mexicana e americana inspirada num romance de Rubem Fonseca.
Existe convite para algum outro projeto futuro?
Estou no filme do Selton Mello, Feliz Natal. Já estamos ensaiando. O interessante é que serei pai do personagem do Emílio Orciolo, que faz meu sobrinho em Alma Gêmea.
Fale um pouco sobre Bernardo, seu personagem na novela.
Ele é um caipirão, responsável por toda jardinagem da casa de seu patrão. É um papel muito gostoso, porque faz o lado de humor da trama. Esse humor vem, na verdade, pelo relacionamento dele com um casal de sobrinhos, que aprontam todas.
Você teve de abandonar algum outro projeto devido às filmagens da novela?
Sim. Me deu uma certa tristeza porque tive de recusar o convite do Luiz Fernando Carvalho para a segunda parte da minissérie Hoje é Dia de Maria.
Você ainda enxerga desafios para sua carreira?
Com certeza existem muitos para mim. Sou um ator pronto para receber desafios. Nunca penso em personagens específicos. Com 15 anos fui o Cristo numa encenação de Páscoa, e recentemente, fiz um dono de bar alcoólatra em Madame Satã (risos).