O espectador que desembolsava R$ 14 por sessão de cinema na rede Cinemark nos finais de semana, agora terá de amargar um novo reajuste no valor dos ingressos. A partir de amanhã, as projeções nas salas do Cinemark do Pier 21 passam a custar R$ 13 (matinê) e R$ 15 (à noite). O preço promocional aplicado às quartas-feiras permanece o mesmo, R$ 10, com aumento de R$ 2 conferido para as sessões de segunda a quinta – R$ 12 (matinê) e R$ 14 (noturno).
A nova tabela não contempla o Cinemark lotado no Taguatinga Shopping. Porém, seis outras franquias da rede espalhadas pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre também sofreram alterações no valor da entrada. De todos os reajustes, o preço do Cinemark situado no coração de Brasília é o mais alto, juntamente com o Market Place, de São Paulo.
Para o público, o problema não está no reajuste de “mero” R$ 1, e sim, na atitude de elevar o valor de um ingresso originalmente caro. “Cada real a mais com certeza pesa no bolso”, destaca o atenente Jefferson Gomes, de 21 anos. Outro cliente do cinema Cinemark, o administrador finaceiro Marlon Piza, de 27 anos, acredita que o valor original dos ingressos são muito altos. “O preço já é um absurdo. Fica difícil para quem não tem carteirinha”.
Como ele, outros espectadores se surpreenderam ao saber do reajuste. É o caso da estudante Giovanna Levita, de 18 anos. Apesar da carteirinha, ela critica a atitude do cinema. Cinéfila, Giovanna acredita que ainda com a meia-entrada, o valor é alto. “Acho um abuso esse preço que eles cobram. Sem falar que aqui (no Pier 21), é mais caro do que em Taguatinga”.
JUSTIFICATIVA A rede Cinemark se manifestou por intermédio de sua assessoria, que conferiu o motivo do reajuste (realizado anualmente) ao aumento das tarifas públicas e impostos. Segundo o departamento de imprensa terceirizado pelo Cinemark, a meia-entrada cedida com a apresentação de carteira estudantil é outro fator que diminui os rendimentos da rede e, com isso, impulsiona o reajuste.
As demais empresas de cinema que atuam na capital federal não prevêem reajustes. O maior concorrente da rede Cinemark, o Grupo Severiano Ribeiro, optou por uma estratégia diferente: ingressos promocionais de segunda a quinta durante este mês. De acordocom o gerente da rede em Brasília, Paulo Liaffa, no próximo dia 24 os preços originais voltam a ser aplicados sem alterações. “Não temos previsão de reajuste. Pelo menos até o final do ano”, destaca Liaffa.
Os cinemas da rede Arco-Íris (no Liberty Mall e Gama) também confirmam a permanência dos preços dos ingressos. O gerente Carlito Rufino da Silva afirma que a empresa instalou som Dolby Digital nas quatro salas do Liberty, sem necessidade de repassar o custo ao consumidor final. “Nosso preço (R$ 10 nos finais de semana) não são baratos. Os outros é que são absurdos”, critica Rufino, que reforça: “Por enquanto não há previsão de reajuste”.
ALTERNATIVAS Apesar do alto custo dos ingressos, existem alternativas para quem prefere pagar menos em detrimento de uma melhor estrutura oferecida pelos cinemas da rede Cinemark. O atendente Jefferson Gomes, por exemplo, recorre aos horários com valores promocionais. Sem carteira de estudante, ele aproveita que na matinê de quarta-feira a entrada cai para R$ 10 para assistir aos filmes na telona. “Os cinemas dificultam o acesso cada vez mais”, diz. Outra saída é esperar o filme chegar às locadoras. “Tenho alugado mais fitas. Às vezes é melhor esperar três ou quatro meses para pegar em DVD”, completa.