A sétima arte mundial vai se encontrar nas salas de cinema da cidade. Começa hoje a sexta edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília – a partir deste ano conhecido como FICBrasília OuroCard 2004. Serão 11 dias de evento e mais de 130 filmes, entre longas-metragens, documentários e curtas brasileiros e estrangeiros, que representam um painel abrangente do que é produzido nos quatro cantos do planeta.
Para o idealizador do festival, Marco Farani, essa é uma oportunidade para o cinéfilo brasiliense assistir a alguns filmes que não chegarão a integrar o circuito comercial. A expectativa é que cerca de 20 mil pessoas compareçam aos cinemas da Academia de Tênis, Centro Cultural Banco do Brasil, Cultura Inglesa e Aeroporto. Entre os filmes mais aguardados estão o norte-americano Super Size Me, do diretor Morgan Spurlock, e o canadense The Corporation, de Mark Achbar e Jennifer Abbott.
Além das 51 obras selecionadas para a Mostra Preview e da Mostra Competitiva de Novos Diretores, este ano o festival preparou diversas mostras simultâneas: Entre Duas Pátrias, que exibe trabalhos de cineastas turcos na Alemanha (fique atento, pois as legendas são em espanhol); Mostra Cinemateca, com clássicos restaurados como O Belo Antônio e O Silêncio; Mostra Yohi Yamada, com nove filmes do conceituado diretor japonês; Retrospectiva Roberto Faria, incluindo cinco filmes feitos com o rei Roberto Carlos, como Pra Frente, Brasil e Assalto ao Trem Pagador e Retrospectiva Peter Greenaway (Livro de Cabeceira, Barriga de Arquiteto).
Outra atração de peso é o jovem cineasta sueco Lukas Moodysson, que vem a cidade para apresentar seus filmes Bem-Vindos e Amigas de Colégio, exibidos no FICBrasília há quatro anos e, também, o seu terceiro trabalho Lylia-4Ever, ainda inédito comercialmente no País.
O último trabalho de Moodysson mostra a história de uma russa de 16 anos que é forçada a sobreviver quando sua mãe foge para os EUA com um marido americano. “É uma declaração sobre a dignidade humana, uma qualidade que constantemente está sendo corroída e corrompida por forças como as dos sistemas políticos, e de uma cultura materialística que permite que tudo seja comprado ou vendido”, explicou o diretor.
Didi Duas das mostras do FICBrasília homenageiam artistas consagrados no Brasil. Para a criançada, Três Vezes Renato Aragão comemora os 40 anos das aventuras de Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo. “O nosso maior palhaço, uma fusão tropical entre os irmãos Marx e Charles Chaplin”, opina Marco Farani. Ele destaca, lisonjeado, que, mesmo avesso a festivais, Renato aceitou vir a Brasília para lançar seu mais recente longa-metragem Didi Quer Ser Criança, que tem exibição única no Americel Hall, dia 18 de julho. Também serão exibidos Os Trapalhões e o Auto da Compadecida e O Noviço Rebelde.
Outro brasileiro homenageado pelo festival é Othon Bastos, com mostra que exibe três filmes estrelados pelo ator (Deus e Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e São Bernardo). A vida e obra de Othon também estarão em livro da coleção Cadernos do Cine Academia, escrito por Cláudio Valentineti e que será lançado durante o festival. Pela mesma coleção, também há um livro sobre a diretora Tizuka Yamazaki, escrito por Inimá Simões.