Se ainda estivesse vivo, Yasujiro Ozu, um dos maiores cineastas japoneses, estaria comemorando ano cem anos de idade. Para celebrar memória e obra no ano do centenário, a Embaixada do Japão organizou uma retrospectiva de seus filmes, no auditório do Sesc da 504 Sul.
Entre 1927, quando mostrou ao público seu primeiro filme (A Espada da Penitência), e sua morte, ele fez 54 produções. Nascido em 12 de dezembro de 1903, em Tóquio, ele estudou na província de Matsuzaka com os dois irmãos. Idolatrava a mãe, mas, entre os dez e os 20 anos de idade, conviveu pouco com seu pai. Embora breve, essa seleção é significativa, exemplificando os temas e técnicas que tornaram Ozu um clássico e, ao mesmo tempo, um mestre do cinema moderno.
Na sessão de hoje, o destaque é para o longa Pai e Filha. O filme é em preto-e-branco e foi feito em 1949. Ele conta a história de um pai viúvo que decide se casar novamente. O problema é a resistência da filha, que, por preconceito, condena veementemente o novo relacionamento do pai e não se deixa convencer facilmente.
Amanhã é a vez do longa Fim de Verão, de 1961. O filme é sobre a família Kohayagawa, que por muitas gerações se dedicou à produção de saquê. Mas, nos novos tempos, a concorrência obrigou o patriarca a se incorporar a uma grande empresa.
Fechando a programação, domingo será exibido A Rotina Tem seu Encanto, de 1962, último filme de Ozu. Novamente com a temática voltada para as relações familiares, esse longa mais dramático relata a angústia de um pai que teme fazer infeliz sua filha, com medo de que ela tenha de cuidar dele a vida inteira. O viúvo decide abrir mão de uma convivência harmoniosa com a filha e lhe arranja o casamento.
As sessões são sempre às 19h, com entrada franca e todos os filmes são apresentados com legenda em português.