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Cinco anos de poesia

Arquivo Geral

20/05/2004 0h00

Na Vertigem do Dia, uma compilação feita pelo poeta maranhense Ferreira Gullar e que traz 35 peças compostas entre 1975 e 1980, é uma obra de grande representatividade na história literária e política brasileira. Este livro, o primeiro produzido por Gullar após a volta do exílio imposto pela ditadura militar, traz a marca da saudade, da revolta, da nostalgia, de lembranças boas e ruins que povoaram a mente do poeta enquanto ele estava fora do País, num período de exceção que privou o Brasil da convivência diária com seus maiores talentos, mas fez com que eles produzissem alguns de seus melhores trabalhos.

Embora Na Vertigem do Dia traga uma compilação de textos escritos no exterior, o Brasil está presente em cada verso impresso nas 96 páginas do livro, seja pela referência lúdica das reminiscências de infância, seja pela ironia contra o regime político. A José Olympio Editora apresenta esta edição como sendo a segunda, mas na verdade seria a décima, já que a primeira teve nove versões.

Na Vertigem do Dia reúne poemas conhecidos como Traduzir-se, que mais tarde foi musicado por Fagner (“Uma parte de mim almoça e janta/Outra parte se espanta”), Bananas podres (“Como um relógio de ouro podre/Oculto nas frutas sobre o balcão/…feito um cinturão azul e ardente/ O mar batendo seu tambor/ Que da quitanda não se escuta”), Arte poética (“Não quero morrer/Não quero apodrecer no poema”) e Subversiva (“A poesia quando chega não respeita nada/Nem pai nem mãe”).

Este livro, rápido de ler e demorado para digerir, traz um mergulho de Ferreira Gullar nas condições de sobrevivência do homem (povo e político). Sempre lúcido nos versos, esse Ferreira (seu nome de batismo é José Ribamar) passeia por mensagens ainda vivas de contestação de um tempo desfavorável aos questionamentos mais intelectuais, à estética e à própria literatura. Mas o fruto dessa revolta artística, ao final, revela apenas o óbvio sobre seu autor: o engajamento poético, lúcido e conseqüente.

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    20/05/2004 0h00

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    Embora Na Vertigem do Dia traga uma compilação de textos escritos no exterior, o Brasil está presente em cada verso impresso nas 96 páginas do livro, seja pela referência lúdica das reminiscências de infância, seja pela ironia contra o regime político. A José Olympio Editora apresenta esta edição como sendo a segunda, mas na verdade seria a décima, já que a primeira teve nove versões.

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    Este livro, rápido de ler e demorado para digerir, traz um mergulho de Ferreira Gullar nas condições de sobrevivência do homem (povo e político). Sempre lúcido nos versos, esse Ferreira (seu nome de batismo é José Ribamar) passeia por mensagens ainda vivas de contestação de um tempo desfavorável aos questionamentos mais intelectuais, à estética e à própria literatura. Mas o fruto dessa revolta artística, ao final, revela apenas o óbvio sobre seu autor: o engajamento poético, lúcido e conseqüente.

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