Aciência está atacando um dos mais sólidos exames que a medicina criou, o antígeno prostático específico, mais conhecido como PSA, usado para detectar câncer na próstata. E quem está colocando o exame em xeque é exatamente o médico que o defendeu, em meados da década de 80 do século passado, Thomas Stamey, professor de Urologia da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
A declaração do renomado profissional é enfática: “A era do PSA acabou”. Stamey foi um dos que primeiro avalizou o teste que mede uma proteína regularmente produzida pela próstata. É dele um dos artigos pioneiros que defendia o uso do PSA, publicado pelo New England Journal of Medicine, em 1987.
E não é de hoje que Thomas Stanley está questionando a eficiência do PSA no diagnóstico de riscos de câncer na próstata, que é o tumor mais comum, e que recebe menos atenção e cuidados com prevenção, em homens com mais de 50 anos de idade.
Para corroborar sua tese de que o PSA não é lá mais tão eficiente o quanto pensava, o pesquisador norte-americano reuniu um grupo de colaboradores para fazer um estudo, por meio do qual analisaram dados coletados nas últimas duas décadas. Coincidentemente esse é exatamente o tempo em que se ratificou como padrão a remoção de próstatas em resposta a altos níveis de PSA no sangue.
amostrasPara fazer o estudo, foram coletadas amostras retiradas de mais de 1,3 mil tecidos prostáticos, removidos por vários cirurgiões.
Esta grande amostra serviu para que os pesquisadores descobrissem que, entre 1983 e 2004, houve uma diminuição substancial na relação entre os níveis de PSA e a quantidade de câncer de próstata. Uma queda brusca, já que a capacidade do teste de prever o tumor caiu de 43% no grupo estudado nos cinco primeiros anos para ridículos 2% nas amostras coletadas mais recentemente.
O estudo vai ser publicado co mais detalhes em outubro no Journal of Urology. E a conclusão é de que o teste de PSA já não é mais uma referência para prevenir a possibilidade de o homem ter ou não ter câncer de próstata.
Os cientistas que participaram da pesquisa explicam que os níveis elevados da proteína na realidade refletem principalmente uma condição chamada hiperplasia prostática, um aumento inofensivo no tamanho da glândula, e não exatamente o câncer.
Depois de participar dos estudos, Stamey teve que se justificar do porque da mudança de opinião. Ele conta que isto ocorreu em função de que, há 20 anos, os tumores encontrados costumavam ser tão grandes que levavam a níveis de PSA altos. Tal condição era mais do que o suficiente para relacionar altos níveis de PSA com o câncer de próstata.
consciênciaTudo mudou em vista, também, de uma nova consciência mundial com relação ao tumor. As pessoas estão procurando os médicos com alguma antecedência. Os tumores são identificados assim com um tamanho menor do que há 20 anos e não produzem nível de PSA suficiente que possa ser considerado um bom indicador de da doença.