“Brasília é uma cidade abstrata. E não há como concretizá-la. É uma cidade redonda e sem esquinas. Brasília não admite diminutivo. Brasília é uma piada estritamente perfeita e sem erros”. Foi a partir de um texto da escritora Clarice Lispector que surgiu no artista plástico Wagner Hermuche a idéia de criar o livro-almanaque Abstrata Brasília Concreta que será lançado hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil, às 21h.
A obra é resultado de uma intensa pesquisa que reuniu trabalhos de fotógrafos, arquitetos, escritores, sociólogos, poetas, geólogos e admiradores da cidade.
Wagner está longe de Brasília desde 1986. Quando retornou, percebeu uma cidade completamente diferente. “Tenho percebido que essa cidade mudou. Junto com essa lavagem cerebral que o planeta está passando, parece que Brasília está perdendo as referências, se modificando”, diz Wagner. Este livro, então, vem funcionar e atuar como uma memória, tanto para os habitantes quanto para aqueles que não conhecem a cidade.
“A pesquisa teve como ponto de partida um texto de Clarice Lispector, que por si só já valeria um livro inteiro. Entretanto, serviu aqui apenas como porta de entrada para que inúmeros colaboradores expusessem seus trabalhos relacionados com a cidade”, resume Wagner.
São fotos de nomes como Adonai Rocha, Rui Faquini, Luis Humberto, Mila Petrilo, Luiza Venturelli e o trabalho criativo de Ari Pára-Raios, Boi do Seu Teodoro, Darlan Rosa, Hugo Rodas, e tantos outros artistas. No hall de musas da obra estão Clarice Lispector e Dulcina de Moraes e no quesito mestres, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão, Burle Marx, Rubem Valentim e Lelé Filgueiras.
O resultado final é um livro que traz uma mistura inusitada das várias Brasílias, a antiga, a nova, a moderna, a chuvosa, a florida e aquela vista pelos brasilienses.