Não caberia um nome mais apropriado para fazer as honras do Clube do Choro na inauguração do seu ano letivo, do que o do consagrado Quinteto Villa-Lobos, que contribuiu durante os últimos 43 anos pela preservação da memória de compositores como Pixinguinha, K-Ximbinho e, principalmente, do maestro que dá nome ao conjunto, Heitor Villa-Lobos (1887-1959).
O compositor carioca, autor de alguns dos principais temas do cancioneiro erudito nacional (como As Bachianas Brasileiras e Trenzinho Caipira), será o alvo das homenagens deste ano no projeto Heitor Villa-Lobos e Seus Amigos do Choro que, trará a Brasília renomados artistas da música instrumental brasileira, para shows semanais de hoje até o mês de dezembro, sempre às quartas, quintas e sextas-feiras.
O mais consagrado e conhecido quinteto de câmara do País anuncia durante esta primeira semana de tributo a Villa-Lobos, o lançamento dos seus dois novos álbuns. O primeiro, será um CD duplo (ainda sem título) com a obra completa dos escritos de Villa-Lobos para instrumentos de sopro. E o segundo, será um disco com as principais canções do pianista Ernesto Nazareth, conhecido como o fundador do choro moderno.
Formado por Antonio Carlos Carrasqueira (flauta), Luís Carlos Justi (oboé), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Philipe Doyle (Trompa) e Aloysio Fagerlande (fagote), o Quinteto Villa-Lobos apresenta, no Clube do Choro, um repertório voltado para a música popular brasileira, sem a característica de música de câmara (categoria à qual o grupo pertence). “Vamos misturar as coisas, principalmente para dar uma idéia da aproximação de Villa-Lobos do chorinho”, esclarece o clarinetista Paulo Sérgio Santos.
originais Segundo o músico, o repertório será definido somente à véspera da apresentação – ou seja, ainda hoje. Ele adiantou que cumprirá a missão de fazer jus ao título do projeto sugerido pelo Clube do Choro. “Vamos escolher as músicas dentro deste contexto dos amigos chorões de Villa-Lobos, como Jacob do Bandolim e Pixinguinha”, acrescenta.
Desde sua formação, em 1962, pelo trompista Carlos Gomes e o fagotista Airton Lima Barbosa, O Quinteto Villa-Lobos mudou de formação e, hoje, não conta com mais nenhum dos membros originais (apesar de manter à risca a tradição e o perfeccionismo do que era o conjunto àquela época).
Quanto à longevidade do grupo, o clarinetista Paulo Sérgio não credita a outra coisa senão “à maluquice dos integrantes”. “Nunca tivemos apoio institucional ou de gravadoras. Atualmente não é diferente, vivemos somente de concertos e projetos”, narra o músico. A difícil empreitada do quinteto é recompensada com os prêmios, menções honrosas e o reconhecimento da primazia dos cinco instrumentistas, que rendeu em mais de quatro décadas de carreira, um lugar de honra (seja em shows ou gravações) ao lado de artistas como Edu Lobo, Nara Leão, Roberto Carlos, Tamba Trio e Wagner Tiso.
Serviço
Projeto Heitor Villa-Lobos e Seus Amigos – Apresentação do grupo Quinteto Villa-Lobos, hoje, amanhã e sexta-feira, no Clube do Choro de Brasília (Eixo Monumental, atrás do Centro de Convenções), às 21h30. Ingressos a R$ (inteira) e R$ 5 (meia).