Foi sem querer querendo”. “Vamos tesouro, não se misture com essa gentalha”. Desde 24 de agosto de 1984, essas frases vêm sendo repetidas na tela do SBT incontáveis vezes, no humorístico Chaves. Nos últimos 20 anos, a emissora de Silvio Santos exibiu o programa em diversos horários. Começou no final da tarde no TV Pown, apresentado por Paulo Barbosa, foi para a hora do almoço, ocupou os fins de semana e, agora, para fazer frente à Record, que vem ganhando espaço na disputa pela audiência, volta ao final da tarde, das 17h30 às 18h30.
E a “novidade” do SBT tem funcionado. Na primeira semana, de 8 a 12 de novembro, Chaves atingiu média de 8 pontos e colocou o SBT de volta ao segundo lugar no Ibope, perdendo apenas para Cabocla, a novela das seis da Globo que terminou ontem e tem reprise do último capítulo hoje. O sucesso da reprise empolgou tanto a direção do SBT que, na segunda-feira, a emissora inicia a reapresentação de Chiquititas, de 1997, novela infantil brasileira baseada em um modelo argentino, às 18h30. E o sucesso do passado tem deixado as concorrentes de cabelo em pé.
O que chama a atenção no caso de Chaves – e que pode se repetir com a novela infantil – é o fato de o SBT mobilizar apenas dois operadores de vídeo e não ter mais nenhuma dívida com a Televisa, emissora que lhe vendeu os episódios. Ou seja, tem um gasto mínimo para colocar o programa no ar e desbanca uma equipe de 39 pessoas do Tudo a Ver (Record), entre elas o apresentador Paulo Henrique Amorim, colunistas, como a top Ana Hickmann (na época da contratação disseram que a moça receberia R$ 120 mil por mês), e dez editores.
“Não é de espantar”, diz Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São paulo (ECA-USP) e autor do livro Atrás das Câmeras: Relação entre Cultura, Estado e Televisão (Summus Editorial). “O que atrai o público são a simplicidade e a ingenuidade, compreendidas por todas as idades e classes. Não há grandes elaborações de formato e conteúdo, mas o público se identifica”.