As cartas levantam a possibilidade de que em algum lugar, guardado num sótão empoeirado ou em alguma pilha de papéis amarelados, possa estar um manuscrito modificado do clássico literário do século 19, abrandado pela romancista britânica para evitar ser alvo de uma ação judicial por calúnia.
Escritas em 1912 pelo neto do diretor da escola, as cartas serão oferecidas em leilão em junho pela Mullock Madeley, anunciou na sexta-feira o especialista em documentos Richard Westwood-Brookes.
A escola Lowood, descrita no livro, era uma instituição impiedosa dirigida pelo cruel Mr. Brocklehurst, sob cujas mãos as alunas passavam fome. De acordo com as cartas, a descrição desagradou ao diretor, o reverendo William Carus-Wilson. Depois de reconhecer a si mesmo e à escola na descrição no livro, ele escreveu a Charlotte Bront, sua ex-aluna, ameaçando-a com um processo judicial.
Mas as cartas, descobertas há um mês e escritas pelo neto de Carus-Wilson, mostram que a escritora o dissuadiu de mover a ação, enviando a ele um rascunho de texto com 1,4 mil palavras, no qual os trechos ofensivos foram retirados.
"Ele escreveu a Charlotte Bront para repreendê-la, e o resultado foi que ela redigiu o rascunho que tenho em minha posse, retirando boa parte do que havia escrito anteriormente sobre a escola", escreveu o neto de Carus-Wilson em uma de três cartas enviadas a um potencial comprador do manuscrito revisto.
Bront acabou não modificando o livro original, e o diretor da escola não moveu nenhuma ação contra ela.