Ivete Sangalo chega de vestido curto de oncinha e é aplaudida pela platéia. Descontraída, imita uma galinha. Todo mundo ri, da equipe técnica aos convidados. Têm sido assim as gravações dos musicais Estação Globo, que vão ao ar durante quatro domingos seguidos, no fim deste ano e no começo de 2006.
Se dependesse só da vontade da Globo, a cantora baiana estaria todo domingo no ar. Elogios a seu desempenho como apresentadora não faltam. Marcos Paulo, o diretor-geral dos programas, já até a chamou de Chacrinha de Saias. Ivete, porém, faz jogo duro: “Vamos deixar para pensar nisso depois. Estou me dedicando por enquanto a esses programas”.
Dessa dedicação ninguém tem dúvida. Ivete faz piada de tudo. Seja na hora de trocar o cinto que a incomoda (“o cinto vai bater nos meus peitos e não sei no que isso vai dar”), seja quando apresenta seus músicos (“vocês têm de conhecê-los, afinal de contas eles também respiram”).
Seus números musicais são repetidos duas ou três vezes, buscando a perfeição. Nenhum sai igual ao outro. Só a energia é a mesma. A platéia responde à altura da animação da baiana e ela pede que eles sejam filmados para que possam aparecer na TV. Quando está nos bastidores, Ivete leva o microfone e continua a conversar com a platéia.
Outra prova de sua atenção é explicar, antes, tudo o que vai ser gravado, como as mensagens de Natal para o programa do dia 25. E, diante dos elogios, ela prefere a modéstia e recorre mais uma vez ao bom humor. “Eu preciso arranjar um emprego aqui, por isso estou sendo falsa”, diz Ivete.