Nacionalista exagerado, intransigente e passional. Assim era descrito Ary Barroso, o homem que fez o Brasil ser mais brasileiro com sua obra. De locutor de futebol a um dos maiores compositores nacionais, Ary, com seu talento, mostrou seu amado país ao mundo.
Nascido em 7 de novembro de 1903, em Ubá, Minas Gerais, seu interesse pela música aumentou quando se mudou para o Rio de Janeiro, onde viveu por mais de 40 anos. Formou-se advogado, mas não exerceu a profissão. Conquistou de vez a música popular quando ganhou um concurso com Vou à Penha e outro com Vamos Deixar de Intimidade.
Daí em diante, muito trabalho e sucessos no teatro, na rádio, na música e no cinema. Ele foi um artista múltiplo – compositor, letrista, chefe de orquestra, pianista, locutor de futebol, apresentador de programa de calouros, político e boêmio, tudo isso ao mesmo tempo.
Mas Ary orgulhava-se especialmente de ser compositor de várias obras-primas da música popular brasileira. Sua grandeza como autor ficou marcada em nossa história quando escreveu a música nacional de maior sucesso no exterior.
Aquarela do Brasil foi composta em 1939, sendo responsável por lançar o compositor no cenário internacional. Ary Barroso tinha consciência da própria importância e da importância de sua música. Orgulhava-se de saber que muitos estrangeiros pensassem que Aquarela do Brasil fosse o próprio Hino Nacional Brasileiro.
Com sua inquietação na busca pelas raízes brasileiras, Ary mudou o rumo da música popular do País. Gostava de transformar em música o jeito brasileiro de ser.
Em 1944, compôs as canções para o filme Brazil, de Walt Disney, entre elas Rio de Janeiro. Além disso, escreveu uma obra-prima por ano na chamada “Época de Ouro”: Faceira, Inquietação, É Mentira, Oi, Foi Ela, Camisa Amarela, entre outras.
Toda homenagem é merecida nesses cem anos de sucesso. Ary Barroso foi um dos principais compositores do século 20 e um dos mais obstinados defensores da autenticidade dos ritmos brasileiros. Mesmo após sua morte, suas canções continuam sendo gravadas por famosos intérpretes, que fazem com que sua obra permaneça viva em nossa história.