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Cantar é mover um dom

Arquivo Geral

17/05/2005 0h00

Caminhando e cantando e seguindo a canção. Assim vivem mulheres brasileiras. Enquanto benzem, tecem, trabalham com terra e fazem artesanato, entoam cânticos de acalanto, louvor, prece e protesto. De hoje a 7 de junho, sempre às terças-feiras, grupos de mulheres da Bahia, Paraíba, Rio de Janeiro e Maranhão se apresentam em Brasília, no Centro Cultural Banco do Brasil, pelo projeto Encantadeiras.

A programação inclui as Ceguinhas de Campina Grande, grupo que reúne as três irmãs, cegas de nascença, Regina, Maria e Conceição Barbosa. Elas tocam ganzás e são intérpretes do tradicional ritmo coco de embolada. Com os instrumentos e as vozes “rachadas”, transmitem um sentido religioso peculiar.

Ao lado das Ceguinhas de Campina Grande, o grupo paulista Mawaca interpreta canções de mais de dez línguas. Formado por seis cantoras e um grupo instrumental, o Mawaca pesquisa e recria a música de diversas etnias, buscando conexões com os ritmos brasileiros.

Auxiliar os mortos a se libertar da órbita terrestre e pedir a Deus pela chuva são tarefas das Encomendadeiras de Almas de Correntina. Conhecidas como Alimentadoras de Almas, mantêm a antiga tradição de penitência e “livração” dos espíritos, por meio do cantar. O grupo baiano apresentará a novena Cantos de Chuva, na qual São José e São Francisco são evocados. Outra atração é uma ladainha, cantada em latim, que permitirá ao público observar as mudanças sofridas na língua em função da tradição e literatura orais.

Em companhia das Encomendadeiras, a poeta e atriz capixaba Elisa Lucinda declamará poesias sobre paixão, política, questões de gênero, conflitos e amores humanos.

O Encantadeiras traz, também, o Cortejo Brincante Abayomi. Formado por mulheres de várias gerações e origens sociais, o grupo mostrará o trabalho de conscientização e socialização que realiza com pessoas carentes no Rio de Janeiro. Vestidas com fartas saias, cozinheiras, psicólogas, educadoras, costureiras e atrizes utilizam poesia, canções de trabalho, acalantos, cirandas e cantos de louvor. Os destaques do show são os estandartes e calungas, acompanhados por instrumentos característicos de gêneros musicais como o batuque, maracatu, toadas de caroço e cantos de lavadeira.

A apresentação do Abayomi contará com a presença da cantora baiana Virgínia Rodrigues. Ex-integrante do grupo Olodum, Virgínia foi lançada à fama por Caetano Veloso, que a descobriu em um ensaio no Pelourinho. Após ter o primeiro disco produzido pelo cantor, Virgínia tornou-se grande sucesso em vários países.

O canto das Quebradeiras de Coco do Babaçu também vai emocionar a platéia do CCBB. Moradoras da região maranhense do Baixo Mearim, as mulheres cantam para amenizar as agruras de trabalhar durante horas e, muitas vezes, ter de destinar 50% do lucro aos donos ou capatazes das fazendas. No universo das canções, está a convocação das companheiras para a luta, a valorização do papel da mulher extrativista, a exaltação à natureza, o clamor pela paz e preservação do babaçu. O grupo apresentará o tambor de crioula, ritmo e dança populares tradicionais do Maranhão mantidos pelos descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos.

Para acompanhar as Quebradeiras de Coco do Babaçu, o Encantadeiras convidou a cantora Nega Gizza. Moradora da favela carioca Parque Esperança, Nega Gizza se apresenta em todo o Brasil em companhia do rapper e irmão MV Bill. Em 2001, a cantora recebeu o mais importante prêmio de rap da América Latina, o Hutúz, na categoria Melhor Demo.

Serviço

Encantadeiras – De hoje a 7 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, próximo ao Clube de Golfe). Entrada franca às 13h

e R$ 15 (inteira)

e R$ 7,50 (meia-entrada), às 21h

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    17/05/2005 0h00

    Caminhando e cantando e seguindo a canção. Assim vivem mulheres brasileiras. Enquanto benzem, tecem, trabalham com terra e fazem artesanato, entoam cânticos de acalanto, louvor, prece e protesto. De hoje a 7 de junho, sempre às terças-feiras, grupos de mulheres da Bahia, Paraíba, Rio de Janeiro e Maranhão se apresentam em Brasília, no Centro Cultural Banco do Brasil, pelo projeto Encantadeiras.

    A programação inclui as Ceguinhas de Campina Grande, grupo que reúne as três irmãs, cegas de nascença, Regina, Maria e Conceição Barbosa. Elas tocam ganzás e são intérpretes do tradicional ritmo coco de embolada. Com os instrumentos e as vozes “rachadas”, transmitem um sentido religioso peculiar.

    Ao lado das Ceguinhas de Campina Grande, o grupo paulista Mawaca interpreta canções de mais de dez línguas. Formado por seis cantoras e um grupo instrumental, o Mawaca pesquisa e recria a música de diversas etnias, buscando conexões com os ritmos brasileiros.

    Auxiliar os mortos a se libertar da órbita terrestre e pedir a Deus pela chuva são tarefas das Encomendadeiras de Almas de Correntina. Conhecidas como Alimentadoras de Almas, mantêm a antiga tradição de penitência e “livração” dos espíritos, por meio do cantar. O grupo baiano apresentará a novena Cantos de Chuva, na qual São José e São Francisco são evocados. Outra atração é uma ladainha, cantada em latim, que permitirá ao público observar as mudanças sofridas na língua em função da tradição e literatura orais.

    Em companhia das Encomendadeiras, a poeta e atriz capixaba Elisa Lucinda declamará poesias sobre paixão, política, questões de gênero, conflitos e amores humanos.

    O Encantadeiras traz, também, o Cortejo Brincante Abayomi. Formado por mulheres de várias gerações e origens sociais, o grupo mostrará o trabalho de conscientização e socialização que realiza com pessoas carentes no Rio de Janeiro. Vestidas com fartas saias, cozinheiras, psicólogas, educadoras, costureiras e atrizes utilizam poesia, canções de trabalho, acalantos, cirandas e cantos de louvor. Os destaques do show são os estandartes e calungas, acompanhados por instrumentos característicos de gêneros musicais como o batuque, maracatu, toadas de caroço e cantos de lavadeira.

    A apresentação do Abayomi contará com a presença da cantora baiana Virgínia Rodrigues. Ex-integrante do grupo Olodum, Virgínia foi lançada à fama por Caetano Veloso, que a descobriu em um ensaio no Pelourinho. Após ter o primeiro disco produzido pelo cantor, Virgínia tornou-se grande sucesso em vários países.

    O canto das Quebradeiras de Coco do Babaçu também vai emocionar a platéia do CCBB. Moradoras da região maranhense do Baixo Mearim, as mulheres cantam para amenizar as agruras de trabalhar durante horas e, muitas vezes, ter de destinar 50% do lucro aos donos ou capatazes das fazendas. No universo das canções, está a convocação das companheiras para a luta, a valorização do papel da mulher extrativista, a exaltação à natureza, o clamor pela paz e preservação do babaçu. O grupo apresentará o tambor de crioula, ritmo e dança populares tradicionais do Maranhão mantidos pelos descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos.

    Para acompanhar as Quebradeiras de Coco do Babaçu, o Encantadeiras convidou a cantora Nega Gizza. Moradora da favela carioca Parque Esperança, Nega Gizza se apresenta em todo o Brasil em companhia do rapper e irmão MV Bill. Em 2001, a cantora recebeu o mais importante prêmio de rap da América Latina, o Hutúz, na categoria Melhor Demo.

    Serviço

    Encantadeiras – De hoje a 7 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, próximo ao Clube de Golfe). Entrada franca às 13h

    e R$ 15 (inteira)

    e R$ 7,50 (meia-entrada), às 21h

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