Num bate-papo com internautas do Portal Terra, na tarde de segunda-feira, o cantor e compositor Caetano Veloso disse que todos os músicos do Brasil devem algo ao Tropicalismo. E que todos devem tudo a Donga e a Pixinguinha. Caetano respondia a uma pergunta sobre uma possível proximidade entre o Tropicalismo e o Manguebeat.
“Todo mundo deve alguma coisa ao Tropicalismo, e mais ainda à Bossa Nova. Todo mundo deve alguma coisa ao Clube da Esquina e todos nós devemos tudo a Donga e a Pixinguinha. O Manguebeat pegou alguma das idéias mais interessantes do Tropicalismo em vez de deitar na sopa do comercialismo que o Tropicalismo também louvava.”
Ao responder a um internauta sobre novos artistas, Caetano negou que a maioria deles sejam filhos de artistas consagrados. “Maria Rita realmente canta bem. Jairzinho é um músico de verdade. Max de Castro é mesmo muito inventivo. E Marcelo D2 não é filho de ninguém que eu conheça. Nem Seu Jorge, nem muitos e muitos outros.”
Ele fez novos elogios ao seu inspirador eterno, João Gilberto, ao negar que artistas que gravam as mesmas músicas com novas roupagens apenas querem vender mais. “João Gilberto está há meio século regravando canções em novas abordagens. E não é para vender mais discos, nem significa que ele tenha perdido a criatividade”.
Caetano disse que, apesar das críticas de jovens músicos e de parte dos jornalistas que fazem cobertura de música no País, ele não se sente paralisado musicalmente: “Tenho 61 anos, não dá mais para mudar isso. Mas eu próprio não me sinto estagnado musicalmente”, desabafou. Perguntado sobre o que pensa sobre a relação às críticas neste sentido, disse que não acha “nada” da posição deles.
Caetano Veloso, que está em Porto Alegre fazendo a direção musical do longa-metragem Meu Tio Matou 1 Kra, de Jorge Furtado, considera que o cinema brasileiro está em excelente fase. “Tem filmes de alta qualidade fazendo sucesso e isso é sinal de saúde”, afirmou.