A depressão feminina é uma das causas de problemas sexuais nas mulheres. Isso porque, para se chegar a uma atividade sexual saudável, são necessários três fatores: o biológico, o neuropsicológico e o cultural.
O biológico diz respeito à saúde física da mulher. O cultural são os valores e a situação socioeconômica. O neuro-psicológico é onde entra a depressão. Com as mulheres levando vidas cada dia mais estressantes, a tendência é que elas apresentem mais casos de depressão e, como conseqüência, disfunções sexuais.
A psiquiatra Carmita Helena Najjar Abdo – professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo – afirma que 52% das mulheres com depressão apresentam alterações na libido. “O ciclo sexual feminino é mais suscetível a mudanças que o masculino”, aponta. “O masculino é simples, com a seqüência desejo–excitação–orgasmo. Nas mulheres, essa fórmula não vale em todos os casos”, diz a médica.
Como exemplo, ela cita relações em que a mulher começa sem nenhum desejo, mas, com a estimulação do prazer chega ao orgasmo. E também ocorre o contrário, quando a mulher está excitada mas não atinge o ponto máximo da satisfação.
A depressão também tem relação com o ciclo menstrual. No período pré-menstrual, são maiores as chances crises. A gravidez também pode trazer depressão. Cerca de 20% das grávidas ficam depressivas, bem como 15% das mães em período pós-natal.
O tratamento das disfunções sexuais passa pelo tratamento da depressão. Mas Carmita Abdo é enfática ao afirmar que terapia de reposição hormonal não cura depressão. “Problemas com a libido são conseqüência de depressão. É preciso tratar as duas coisas. E o indicado no caso da depressão são os antidepressivos”, diz.
Eles atuam de forma a equilibrar os neurotransmissores e a eficácia é de 70%. Para a médica, um dos mais indicados é a bupropiona. “A sensação de bem-estar vem rapidamente, poucas pessoas engordam e a taxa de abandono dos pacientes é de apenas 9%”, explica. Entretanto, o tratamento ideal varia de acordo com cada paciente. É preciso levar em conta o perfil da pessoa, o histórico genético, as outras doenças que ela tem, entre outros fatores.