Passados 30 anos da explosão da música brega – de romantismo meloso e figurino exagerado – os tempos das perucas e óculos Ray Ban se mostram não somente vivos na memória, como também acesos nas pistas de dança da casa de espetáculos Marina Hall, cujo cartaz de hoje é a festa Brasília Brega. Para compor a linha de frente do evento, estão escalados os próprios precursores do gênero: Wando e Sidney Magal. De volta à crista da onda do estrelato – impulsionado pelo papel na novela Da Cor do Pecado –, Magal concede entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília sobre sua carreira.
Afastado dos estúdios desde 2001, Magal diz que os discos saem necessariamente neste ano. Ele explica o motivo: “É a comemoração de três décadas da música Tenho, a primeira que fez grande sucesso. E tem muita gente que procura alguma coisa nova do Magal, um DVD… Esta é minha primeira urgência”. O cantor carioca acredita que até julho termina as gravações de um CD com inéditas e releituras dos principais hits, Sandra Rosa Madalena, Meu Sangue Ferve por Você, Me Chama Que Eu Vou e Tenho. “Gosto desse negócio do brega ser cult, mas é necessário fazer algo novo”, destaca.
Quanto à definição de seu gênero com o adjetivo de brega, Magal não vê problemas em admitir. “Sou brega porque estamos num país brega. Custamos a assumir, mas, se formos olhar para dentro, vamos ver que os grandes sucessos de hoje são o sertanejo, o axé e o pagode”, analisa o músico.
Ele não renega seu passado glorioso com uma rosa entre os dentes, calças bocas-de-sino e sapatos de salto alto. “Preciso ser coerente. Nunca fui nem vou ser aquele artista que parte para outro gênero”, garante. “O compositor de que mais gosto é o Ivan Lins, mas nunca vou gravar músicas dele, senão estarei cuspindo na cabeça do meu público”.
Casado há 25 anos, Sidney Magal causou polêmica ao falar de sua atração pelos galãs Reynaldo Gianecchini e Edson Celulari. “Se não tivesse encontrado o amor da minha vida na minha mulher, poderia ter sido um gayzão enorme e estaria feliz do mesmo jeito”, confidenciou. “Nós nascemos bissexuais”. Segundo Magal, as doenças do mundo nascem quando o ser humano não aceita que é meio homem e meio mulher; meio branco, meio preto; meio rico, meio pobre. “Eu mesmo sou meio Magalhães e meio Magal. Ninguém nunca irá me ver no supermercado usando salto alto”.
Antes dele, sobe ao palco o contemporâneo Wando, com seus hits românticos Fogo e Paixão, Moça, Tenda dos Prazeres e Mulheres. Completam o rol de atrações da festa o irreverente grupo feminino candango Avacalhando o Vocal, a banda mineira Lisias e os DJs Robinho (SP) e Fábio Professor (DF).
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Brasília Brega – Festa-show com Sidney Magal, Wando, Banda Lisias, Avacalhando o Vocal e DJs. A partir das 22h, no Marina Hall (Vila Planalto, próximo ao Bay Park). Ingressos a R$ 40 (inteira, pista) e R$ 80 (inteira, área VIP). Pontos de venda: lojas Music Store e Planet Music.