Os anos 70 se foram, mas as cores da era disco permanecem vibrantes. Depois do show da Gloria Gaynor, chegam à capital os bad boys da disco music: Village People. O sexteto abre na quinta-feira, em Brasília, sua turnê verde-amarela, depois de 20 anos sem vir ao País. Antes deles, show com a banda BSB Disco Club.
Eles fizeram fama e venderam mais de 65 milhões de discos com os hits YMCA, Macho Man e In the Navy, que, até hoje, têm execução regular nas rádios e casas noturnas ao redor do mundo. Na capital, os seis garotos cinqüentões inauguram a Academia Music Hall (antigo Americel Hall) com show visto somente em Las Vegas.
Apesar das mudanças, os personagens permanecem os mesmos de antigamente: Felipe Rose (índio), Alex Briley (militar), David Hodo (operário), Ray Simpson (policial), Jeff Olson (caubói) e Eric Anzalone (o único que não faz parte da formação original e que encarna o papel de motoqueiro, deixado por Glenn Hughes ao falecer em 2001).
Leia entrevista com o “militar” Alex Briley, exclusiva ao Jornal de Brasília.
Serviço
Village People – Quinta, às 21h, no Academia Music Hall (Academia de Tênis). Ingressos à venda na Free Corner (304 Sul, Conjunto Nacional e Brasília Shopping) e Aromas Naturais (Brasília Shopping).
Entrevista – Alex Briley
Nesses 20 anos longe do Brasil, no que o Village People trabalhou?
Interrompemos os shows em 1986 e em 1990 demos continuidade ao trabalho. Excursionamos pelo Canadá e Austrália, principalmente; fomos em alguns países da América do Sul, mas estivemos sempre fazendo shows. E estamos muito ansiosos em ir aí para o Brasil
Como são as performances do grupo hoje?
Quanto ao público, é como nos velhos tempos. E nós ainda estamos em boa forma. O público de hoje do Village People é o mesmo dos anos 70, com o acréscimo dos filhos das pessoas que nos acompanhavam desde aquela época.
O show será no mesmo padrão dos anos 70?
Não. Atualizamos nosso figurino e vamos mostrar muita coisa nova que só apresentamos em Las Vegas.
O Trash Disco?
Também. Essa é uma homenagem a toda a variedade de sons que encontrávamos de bar em bar nos anos 70. Ali tocava o Bee Gees, em outra esquina, o Earth, Wind & Fire e em outro lugar estava a Gloria Gaynor. Eles contribuíram com suas músicas e, então, fizemos isso, que é um medley de vários sucessos.
O Village People tem trabalhado músicas novas?
Gostaríamos de gravar um novo disco. Com certeza iremos, porque fechamos um bom acordo com a gravadora. Mas, antes, queremos encontrar um novo YMCA. Alguma coisa que consiga ter a mesma força dessa música.
Onde a fórmula YMCA acertou?
Em uma coisa: fala sobre como se divertir, nada mais.
A disco music revitalizou as baladas noturnas?
A disco music contribuiu com uma cultura de curtir a vida sem compromisso, cheio de batidas pesadas e que fazia todo mundo dançar sem hora para terminar.
E se comparado à moda da música eletrônica de hoje…
Acredito que preencha uma lacuna. A batida é mais rápida, mais jovem e mais forte. A eletrônica e os DJs criaram um público diferente a partir de um som novo e fresco. É uma coisa muito boa, muito saudável.
Como se deu a escolha de Eric Anzalone para substituir a triste perda de Glenn Hughes?
Eric já estava no grupo há nove anos e, vez ou outra, substituía alguém que não poderia comparecer ao show. É um cara extremamente talentoso e, apesar das saudades do Glenn, não hesitamos em colocá-lo como o motoqueiro de jaqueta de couro.
Você acredita que o Village People, com seu trabalho, tenha quebrado um tabu em relação à homossexualidade?
Sexualidade tem tudo a ver com o indivíduo e todos devem poder fazer aquilo que lhes apraz. A música é um terreno comum para a sexualidade. Nos orgulhamos em ter ajudado na quebra desses tabus, mas, na verdade, isso é mérito de toda a era disco.