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Brasil em forma de dança

Arquivo Geral

22/10/2004 0h00

O espetáculo Matracar da Cia Alaya Dança estréia hoje na Sala Martins Penna do Teatro Nacional, e tem apresentações no sábado e no domingo, com direito a reprise no final de semana seguinte, no Sesc Garagem.

A encenação de Matracar tem a tradicional festa do Bumba-meu-Boi do Maranhão como principal fonte de inspiração. “Os dançarinos passaram por laboratórios de música e de dança popular. Foram até conhecer o Boi de seu Teodoro, em Sobradinho, para saber mais sobre este que é um dos folguedos mais tradicionais do Brasil”, afirma Lenora Lobo, fundadora do grupo Alaya.

O espetáculo não conta com nenhuma narrativa. O objetivo do grupo, segundo Lenora, é, como em apresentações anteriores, chegar mais próximo das manifestações cênicas da cultura popular brasileira, buscando resgatar a tradição das danças populares, neste caso, em especial, a do Bumba-meu-Boi.

“É o cruzamento da dança contemporânea com a cultura popular, memória do que eu e os bailarinos vimos. A cultura é dançada nos corpos contemporâneos dos dançarinos. “Para isso, eles usam o método teatro do movimento, criação de Lenora. Os bailarinos são chamados de intérpretes criadores, porque têm o corpo dramático, um corpo que não só dança como fala e canta, o que caracteriza o teatro cênico. O corpo do brincante no Bumba-meu-Boi foi incorporado à peça como fluência, espaço e as matracas, que são utilizadas na percussão.

O corpo, som e espaço são utilizados não como narração, e sim de forma abstrata. Não tem início, meio e fim, não tem narração. Uma interação com o público está planejada. Lenora promete que vai ser de forma espontânea.

A música da peça tem uma parte de percussão pesquisada e composta pelos bailarinos, assim como as músicas cantadas. As outras músicas são populares. Claúdio Vinícius é o diretor musical, e a parte popular foi produzida pelo músico Celso Leal. “A música é bastante animada”, diz Lenora.

O nome Matracar vem da resistência popular de manter uma arte não globalizada ressaltando a cultura popular. “A cultura no Brasil está sendo perdida e queremos resgatar isso”, diz Lenora. “A palavra significa repetir, insistir. Trazer resíduos em cima das manifestações populares e trabalhar com a linguagem da companhia foi o objetivo almejado. Salientamos que o espetáculo não é Bumba-meu-Boi. Traduzimos para o teatro contemporâneo”, diz o intérprete criador João Alexandre. Ele participa do grupo há quase 15 anos e desde abril está na pesquisa para Matracar. “Não foi só uma repetição do que já existe na cultura. Nos aventuramos para dar o nosso palpite”, diz João.

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    22/10/2004 0h00

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    A encenação de Matracar tem a tradicional festa do Bumba-meu-Boi do Maranhão como principal fonte de inspiração. “Os dançarinos passaram por laboratórios de música e de dança popular. Foram até conhecer o Boi de seu Teodoro, em Sobradinho, para saber mais sobre este que é um dos folguedos mais tradicionais do Brasil”, afirma Lenora Lobo, fundadora do grupo Alaya.

    O espetáculo não conta com nenhuma narrativa. O objetivo do grupo, segundo Lenora, é, como em apresentações anteriores, chegar mais próximo das manifestações cênicas da cultura popular brasileira, buscando resgatar a tradição das danças populares, neste caso, em especial, a do Bumba-meu-Boi.

    “É o cruzamento da dança contemporânea com a cultura popular, memória do que eu e os bailarinos vimos. A cultura é dançada nos corpos contemporâneos dos dançarinos. “Para isso, eles usam o método teatro do movimento, criação de Lenora. Os bailarinos são chamados de intérpretes criadores, porque têm o corpo dramático, um corpo que não só dança como fala e canta, o que caracteriza o teatro cênico. O corpo do brincante no Bumba-meu-Boi foi incorporado à peça como fluência, espaço e as matracas, que são utilizadas na percussão.

    O corpo, som e espaço são utilizados não como narração, e sim de forma abstrata. Não tem início, meio e fim, não tem narração. Uma interação com o público está planejada. Lenora promete que vai ser de forma espontânea.

    A música da peça tem uma parte de percussão pesquisada e composta pelos bailarinos, assim como as músicas cantadas. As outras músicas são populares. Claúdio Vinícius é o diretor musical, e a parte popular foi produzida pelo músico Celso Leal. “A música é bastante animada”, diz Lenora.

    O nome Matracar vem da resistência popular de manter uma arte não globalizada ressaltando a cultura popular. “A cultura no Brasil está sendo perdida e queremos resgatar isso”, diz Lenora. “A palavra significa repetir, insistir. Trazer resíduos em cima das manifestações populares e trabalhar com a linguagem da companhia foi o objetivo almejado. Salientamos que o espetáculo não é Bumba-meu-Boi. Traduzimos para o teatro contemporâneo”, diz o intérprete criador João Alexandre. Ele participa do grupo há quase 15 anos e desde abril está na pesquisa para Matracar. “Não foi só uma repetição do que já existe na cultura. Nos aventuramos para dar o nosso palpite”, diz João.

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