Uma casa, depois de se tornar própria, é como um tesouro para o proprietário. Ainda mais quando ela tem um grande valor sentimental. Por isso, perdê-la, torna-se um profundo e irreparável desgosto. Este é o mote central de Casa de Areia e Névoa, primeiro filme do diretor Vadim Perelman, que estréia hoje somente no Cine Academia.
A trama do filme está polarizada entre Kathy (Jennifer Connelly), uma jovem traumatizada pelo desprezo do marido, que a abandona, e o iraniano Massoud Amir Behrani (Ben Kingsley). A vida dos dois se cruzam quando, inesperadamente e de forma violenta, Kathy torna-se vítima de um grave erro do governo que coloca sua casa, herdada dos pais, em leilão.
O comprador da casa é Behrani que, com o negócio, está satisfazendo o sonho da mulher e do filho doente de ter um lar num cenário idílico. Quando descobre o erro, Kathy tenta reaver a residência e para isso, no limite do desespero, é capaz de atitudes nada civilizadas. Só que a jovem encontra pela frente um homem decidido e disposto a lutar pelos sonhos de sua família.
Casa de Areia e Névoa foi baseado no livro de mesmo nome, escrito por Andre Dubus III. O autor chegou a receber mais de 100 propostas de vários estúdios para que a obra chegasse às telas de cinema. O ator Ben Kingsley, inclusive, ganhou o livro de presente da esposa do autor meses antes de ser convidado para fazer o papel principal.
O filme de Vadim Perelman, que custou US$ 16 milhões, concorreu a três Oscar este ano: Ben Kingsley, como Ator, Shohreh Aghdasloo, como atriz coadjuvante, e também pela trilha sonora. Não conquistou qualquer deles. Este drama, com belas paisagens e excelente atuação de Kingsley (Gandhi, A Lista de Schlinder) foi bem recebido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2004.