Pelo jeito, Graziella Moretto foi talhada para o papel de trambiqueira. Em Da Cor do Pecado, ela vive Beki, uma ex-garçonete pilantra. No filme Viva Voz, é Karina, uma fogosa amante sem caráter. “Devo ter cara de biscate, de trambiqueira, porque só faço esses papéis”, diverte-se. Aliás, o humor tem sido um traço constante no cotidiano de Graziella. Mas essa santista de 32 anos prefere não se definir como comediante: “Meus trabalhos trazem uma grande alegria. Mas ninguém ganha prêmio fazendo comédia. Só quando interpreta um louco ou um doente”.
Faz sentido: um vilão bem-feito sempre aquece a carreira de um artista. Graziella pode ainda não ter recebido prêmios, mas sabe que está em alta. Desde o filme Domésticas, não pararam de surgir convites. Agora, como Beki, ela se diverte ao lado de Ney Latorraca e Maitê Proença.
“Rolou uma química”, conta. “Quanto ao futuro da Beki, acho que ela termina com Pai Helinho (Matheus Nachtergaele)”, brinca, às gargalhadas. Numa novela tão descomprometida com o traço dramático, tudo é possível.
Nesse meio tempo, a atriz vem se dedicando a outro prazer: escrever um livro sobre a experiência da maternidade. Esta é, afinal, uma vivência presente em sua vida há oito meses, desde que nasceu Nina, filha de Graziella com o técnico de som Guilherme Ayrosa. A gravidez, ela atesta, mudou bastante o modo de encarar a vida. “Ter um filho é algo estrondoso”, exalta. “A cada dia que eu passo com ela, eu a amo mais. É a prova concreta da existência do Divino”.
Desde a gravidez, Graziella começou a escrever esse livro, sempre com seu tom bem-humorado, sobre a experiência da maternidade. O título provisório da publicação, ainda sem data para ser lançada, é É pra Descer do Paraíso?.
“Fazer piada da gravidez parece um sacrilégio, algo politicamente incorreto, mas eu resolvi fazer”, antecipa. E aproveita para citar alguns exemplos que estarão no livro: “Todo mundo me dizia que depois dos quatro primeiros meses de gravidez o enjôo ia passar. Mas ninguém me disse que eu ia ficar quatro meses com a cabeça enfiada numa privada vomitando com a alma para fora”. Enquanto o livro não vem, ela brinca no circo sem medidas em que se transformou a novela.