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Beckett em seis movimentos

Arquivo Geral

13/11/2003 0h00

Coloque na mesma bagagem seis anos de pesquisas sobre o dramaturgo irlandês Samuel Beckett, três espetáculos inspirados na obra do autor. Acrescente competentes atores e misture à criatividade incessante de dois irmãos-experientes-diretores de teatro. O resultado desse “cozido” inusitado pode ser conferido a partir de hoje no espetáculo Todos os que Caem, de Adriano e Fernando Guimarães, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil.

Composta por três peças e três performances, a montagem traz no elenco Vera Holtz, Dora Wainer, William Ferreira, Alessandro Brandão, Catarina Accioly, Mariana Nunes e Carol Nemetala.

O ponto de intersecção dos componentes do espetáculo é a luz. “Já abordamos nas peças anteriores a memória e a identidade, a respiração sob a ótica de Beckett e agora é a vez da luz”, conta Fernando. “Ela é uma verdadeira protagonista na trama”.

Logo na entrada do teatro, o espectador é convidado a assistir à primeira performance, realizada na área externa da casa. “Acho fundamental trazer o exterior para o interior e vice-versa, tirar o espectador da sala. Por isso as peças são intercaladas com performances”, adianta o diretor.

A primeira peça é Eu Não, escrita em 1970, e onde Dora Wainer contracena com a imagem de uma enorme boca que fala ininterruptamente. Em Balanço, de 1980, Vera Holtz permanece sentada em uma cadeira de balanço enquanto fala. “É uma mulher prematuramente envelhecida, com uma imensa sede de viver, que pede mais, ainda quer viver”, pontua a atriz da Globo. “Este é o que chamamos de poema-peça ou peça-poema”, lembra Fernando, acrescentando que todos os textos foram traduzidos especialmente para esta montagem pela crítica Barbara Heliodora.

Já em Rascunho Para Teatro II (1950), Dora, Vera e William são três personagens burocráticos que, livres de julgamentos, só falam por meio de depoimentos. A iluminação, componente agregador tão importante na montagem, fica a cargo de Dalton Camargos. O figurino é assinado pela artista plástica Ana Miguel.

Como já é de praxe, a interdisciplinaridade na obra dos diretores fez com que eles, além de assinarem a direção e bolarem o cenário, criassem, paralelamente ao espetáculo, a Dupla Exposição. O projeto é na verdade uma instalação multimídia que agrega vídeo, fotografia, objetos e performances. A mostra estará aberta a partir do dia 18, na Galeria 2 do CCBB.

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    Beckett em seis movimentos

    Arquivo Geral

    13/11/2003 0h00

    Coloque na mesma bagagem seis anos de pesquisas sobre o dramaturgo irlandês Samuel Beckett, três espetáculos inspirados na obra do autor. Acrescente competentes atores e misture à criatividade incessante de dois irmãos-experientes-diretores de teatro. O resultado desse “cozido” inusitado pode ser conferido a partir de hoje no espetáculo Todos os que Caem, de Adriano e Fernando Guimarães, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil.

    Composta por três peças e três performances, a montagem traz no elenco Vera Holtz, Dora Wainer, William Ferreira, Alessandro Brandão, Catarina Accioly, Mariana Nunes e Carol Nemetala.

    O ponto de intersecção dos componentes do espetáculo é a luz. “Já abordamos nas peças anteriores a memória e a identidade, a respiração sob a ótica de Beckett e agora é a vez da luz”, conta Fernando. “Ela é uma verdadeira protagonista na trama”.

    Logo na entrada do teatro, o espectador é convidado a assistir à primeira performance, realizada na área externa da casa. “Acho fundamental trazer o exterior para o interior e vice-versa, tirar o espectador da sala. Por isso as peças são intercaladas com performances”, adianta o diretor.

    A primeira peça é Eu Não, escrita em 1970, e onde Dora Wainer contracena com a imagem de uma enorme boca que fala ininterruptamente. Em Balanço, de 1980, Vera Holtz permanece sentada em uma cadeira de balanço enquanto fala. “É uma mulher prematuramente envelhecida, com uma imensa sede de viver, que pede mais, ainda quer viver”, pontua a atriz da Globo. “Este é o que chamamos de poema-peça ou peça-poema”, lembra Fernando, acrescentando que todos os textos foram traduzidos especialmente para esta montagem pela crítica Barbara Heliodora.

    Já em Rascunho Para Teatro II (1950), Dora, Vera e William são três personagens burocráticos que, livres de julgamentos, só falam por meio de depoimentos. A iluminação, componente agregador tão importante na montagem, fica a cargo de Dalton Camargos. O figurino é assinado pela artista plástica Ana Miguel.

    Como já é de praxe, a interdisciplinaridade na obra dos diretores fez com que eles, além de assinarem a direção e bolarem o cenário, criassem, paralelamente ao espetáculo, a Dupla Exposição. O projeto é na verdade uma instalação multimídia que agrega vídeo, fotografia, objetos e performances. A mostra estará aberta a partir do dia 18, na Galeria 2 do CCBB.

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