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Beber socialmente pode provocar dano cerebral

Arquivo Geral

31/05/2004 0h00

Estudo norte-americano mostra que pessoas que bebem muito, ainda que socialmente, mostram um padrão de dano cerebral parecido com aquele visto em alcoólatras hospitalizados – o suficiente para debilitar o funcionamento diário.

A pesquisa publicada no jornal Alcoholism: Clinical & Experimental Research por Dieter Meyerhoff, da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), analisou 46 bebedores crônicos e 52 bebedores leves, que foram recrutados por classificados em jornais e flyers promocionais. Segundo escreveram em seu relatório, os pesquisadores usaram como “critério para admissão de bebedores pesados o consumo médio de mais de 100 drinques alcoólicos por mês para homens (80 drinques para mulheres), por mais de três anos antes do estudo”. É considerado um drinque uma dose de destilado, um copo de vinho ou uma latinha de cerveja.

Foram usadas imagens de ressonância magnética para olhar as estruturas cerebrais físicas e medir vários químicos cerebrais associados com as funções sadias do cérebro. Testes padrões de inteligência verbal, velocidade de processamento, equilíbrio, memória funcional, função espacial, função executiva e aprendizado e memória foram dados para os voluntários.

“Nossas amostras de bebedores pesados foi de significativa debilidade nas medidas de memória funcional, velocidade de processamento, atenção, função executiva e equilíbrio”, escreveram os pesquisadores.

O estudo é incomum no sentido de que a maioria das pesquisas de danos cerebrais provenientes do álcool é feita em pessoas que já passaram por tratamento.

“Creio que este é o primeiro estudo do gênero que olhou para o funcionamento cerebral de indivíduos que bebem muito socialmente e que não passaram por tratamento contra o alcoolismo”, complementou o dr. Peter Martin, da Universidade Vanderbilt, no Tennessee (EUA), um professor de psiquiatria especializado em viciados e que escreveu um comentário sobre o relatório.

Segundo o relatório, as medidas dos químicos cerebrais e estruturas físicas mostraram alguns dos mesmos danos vistos em alcoólatras que estavam no hospital ou centros de tratamento, embora com um padrão levemente diferente no cérebro. Isso poderia ser resultado exatamente de se tratar de bebedores que nunca passaram por tratamento.

“O problema de se estudar pessoas que estão lá fora bebendo é que você nunca tem certeza se esses são efeitos duradouros ou efeitos agudos”, disse Martin.

O professor notou que os voluntários do estudo tinham ficado sem um drinque por 12 horas e podiam, portanto, estar mostrando evidências de abstinência alcoólica ao invés de efetivos danos cerebrais. “Iriam essas pessoas, se ficassem sóbrias por um período de três ou quatro semanas, ter essas anormalidades?”, indagou.

Mas, para ele, as chances são maiores de que sejam, sim, efeitos duradouros. “Minha experiência pessoal é que existe muita evidência mostrando que quanto mais a pessoa bebe e quanto há mais tempo ela o faz, mais provavelmente ela terá deficiências cognitivas”.

“Nossa mensagem é: beba com moderação. Beber demais causa danos ao seu cérebro, ainda que muito pouco, reduzindo sua função cognitiva de forma que pode não ser notada em um primeiro momento. Para estar seguro, não exagere”, recomendou Meyerhoff.

Segundo aponta em seu estudo, o uso moderado de álcool para a maioria dos adultos se traduz em até dois drinques por dia para homens mais jovens ou um drinque para mulheres e pessoas mais velhas.

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    31/05/2004 0h00

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    A pesquisa publicada no jornal Alcoholism: Clinical & Experimental Research por Dieter Meyerhoff, da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), analisou 46 bebedores crônicos e 52 bebedores leves, que foram recrutados por classificados em jornais e flyers promocionais. Segundo escreveram em seu relatório, os pesquisadores usaram como “critério para admissão de bebedores pesados o consumo médio de mais de 100 drinques alcoólicos por mês para homens (80 drinques para mulheres), por mais de três anos antes do estudo”. É considerado um drinque uma dose de destilado, um copo de vinho ou uma latinha de cerveja.

    Foram usadas imagens de ressonância magnética para olhar as estruturas cerebrais físicas e medir vários químicos cerebrais associados com as funções sadias do cérebro. Testes padrões de inteligência verbal, velocidade de processamento, equilíbrio, memória funcional, função espacial, função executiva e aprendizado e memória foram dados para os voluntários.

    “Nossas amostras de bebedores pesados foi de significativa debilidade nas medidas de memória funcional, velocidade de processamento, atenção, função executiva e equilíbrio”, escreveram os pesquisadores.

    O estudo é incomum no sentido de que a maioria das pesquisas de danos cerebrais provenientes do álcool é feita em pessoas que já passaram por tratamento.

    “Creio que este é o primeiro estudo do gênero que olhou para o funcionamento cerebral de indivíduos que bebem muito socialmente e que não passaram por tratamento contra o alcoolismo”, complementou o dr. Peter Martin, da Universidade Vanderbilt, no Tennessee (EUA), um professor de psiquiatria especializado em viciados e que escreveu um comentário sobre o relatório.

    Segundo o relatório, as medidas dos químicos cerebrais e estruturas físicas mostraram alguns dos mesmos danos vistos em alcoólatras que estavam no hospital ou centros de tratamento, embora com um padrão levemente diferente no cérebro. Isso poderia ser resultado exatamente de se tratar de bebedores que nunca passaram por tratamento.

    “O problema de se estudar pessoas que estão lá fora bebendo é que você nunca tem certeza se esses são efeitos duradouros ou efeitos agudos”, disse Martin.

    O professor notou que os voluntários do estudo tinham ficado sem um drinque por 12 horas e podiam, portanto, estar mostrando evidências de abstinência alcoólica ao invés de efetivos danos cerebrais. “Iriam essas pessoas, se ficassem sóbrias por um período de três ou quatro semanas, ter essas anormalidades?”, indagou.

    Mas, para ele, as chances são maiores de que sejam, sim, efeitos duradouros. “Minha experiência pessoal é que existe muita evidência mostrando que quanto mais a pessoa bebe e quanto há mais tempo ela o faz, mais provavelmente ela terá deficiências cognitivas”.

    “Nossa mensagem é: beba com moderação. Beber demais causa danos ao seu cérebro, ainda que muito pouco, reduzindo sua função cognitiva de forma que pode não ser notada em um primeiro momento. Para estar seguro, não exagere”, recomendou Meyerhoff.

    Segundo aponta em seu estudo, o uso moderado de álcool para a maioria dos adultos se traduz em até dois drinques por dia para homens mais jovens ou um drinque para mulheres e pessoas mais velhas.

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