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Balé mostra os paradoxos do desejo

Arquivo Geral

26/08/2005 0h00

Cordas que se entrelaçam e formam uma árvore. Cabeleiras imensas penduradas no teto. Bailarinos que, unidos às cordas, multiplicam-se. Esses recursos compõem o espetáculo Nó, da Companhia de Dança Deborah Colker, em cartaz de hoje a domingo, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

Há mais de dois anos, a coreógrafa Deborah Colker prepara o espetáculo, que estreou em maio, em Wolfsburgo, na Alemanha. “Eu queria falar sobre o desejo, que vai desde o mais complicado, aquele que temos de sublimar, até ao que está na ponta do nosso nariz, mas que não podemos tocar”, explica.

Para expressar os paradoxos do desejo, como as relações de dominação, por exemplo, Deborah utilizou a bondage, técnica com cordas para controlar movimentos, e o conhecimento de todos os tipos de nós. No primeiro ato, 16 bailarinos compõem o cenário com um emaranhado de cabelos e 120 cordas, que formam uma árvore. “Tanto as cordas quanto os cabelos são objeto de fetiche”, diz a coreógrafa.

No segundo ato, os dançarinos entram em uma caixa transparente, de 3,1 x 2,5 metros, criada pelo cenógrafo Gringo Cardia. A idéia de construir o objeto surgiu quando Deborah viajou a Amsterdã, na Holanda, onde visitou o Red Light District (Bairro da Luz Vermelha), em que garotas de programa se expõem em vitrines nas fachadas das casas. “A caixa representa uma teia dos desejos, dos afetos. Fazemos uma metáfora do desejo de vitrine: de automóvel, comida, roupa”, conta.

Enquanto os bailarinos se atam e desatam, um zumbido intenso é seguido de guitarras, da harpa de Alice Coltrane e de músicas que buscam o estranhamento, compostas por Ceppas e Alexandre Kassin. A segunda parte é marcada pelo lirismo de Ravel.

Um dos destaques de Nó, sétimo espetáculo da companhia, criada em 1993, é o figurino de Alexandre Herchcovitch. “Ele criou roupas da cor da pele, de forma que os bailarinos parecem estar nus. É a maneira simples, mas ousada, de expressar o desejo”, afirma Deborah.

Serviço

Nó – Espetáculo com a Companhia de Dança Deborah Colker. Hoje e amanhã, às 21h e domingo, às 20h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Ingressos a R$ 60 (inteira). Informações: 3325-6256.

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    26/08/2005 0h00

    Cordas que se entrelaçam e formam uma árvore. Cabeleiras imensas penduradas no teto. Bailarinos que, unidos às cordas, multiplicam-se. Esses recursos compõem o espetáculo Nó, da Companhia de Dança Deborah Colker, em cartaz de hoje a domingo, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

    Há mais de dois anos, a coreógrafa Deborah Colker prepara o espetáculo, que estreou em maio, em Wolfsburgo, na Alemanha. “Eu queria falar sobre o desejo, que vai desde o mais complicado, aquele que temos de sublimar, até ao que está na ponta do nosso nariz, mas que não podemos tocar”, explica.

    Para expressar os paradoxos do desejo, como as relações de dominação, por exemplo, Deborah utilizou a bondage, técnica com cordas para controlar movimentos, e o conhecimento de todos os tipos de nós. No primeiro ato, 16 bailarinos compõem o cenário com um emaranhado de cabelos e 120 cordas, que formam uma árvore. “Tanto as cordas quanto os cabelos são objeto de fetiche”, diz a coreógrafa.

    No segundo ato, os dançarinos entram em uma caixa transparente, de 3,1 x 2,5 metros, criada pelo cenógrafo Gringo Cardia. A idéia de construir o objeto surgiu quando Deborah viajou a Amsterdã, na Holanda, onde visitou o Red Light District (Bairro da Luz Vermelha), em que garotas de programa se expõem em vitrines nas fachadas das casas. “A caixa representa uma teia dos desejos, dos afetos. Fazemos uma metáfora do desejo de vitrine: de automóvel, comida, roupa”, conta.

    Enquanto os bailarinos se atam e desatam, um zumbido intenso é seguido de guitarras, da harpa de Alice Coltrane e de músicas que buscam o estranhamento, compostas por Ceppas e Alexandre Kassin. A segunda parte é marcada pelo lirismo de Ravel.

    Um dos destaques de Nó, sétimo espetáculo da companhia, criada em 1993, é o figurino de Alexandre Herchcovitch. “Ele criou roupas da cor da pele, de forma que os bailarinos parecem estar nus. É a maneira simples, mas ousada, de expressar o desejo”, afirma Deborah.

    Serviço

    Nó – Espetáculo com a Companhia de Dança Deborah Colker. Hoje e amanhã, às 21h e domingo, às 20h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Ingressos a R$ 60 (inteira). Informações: 3325-6256.

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