Brasília recebe a partir de amanhã três diferentes expressões da pintura contemporânea, por meio das colagens inéditas do carioca Zéllo Visconti; das cores do cipriota naturalizado brasileiro Jeron; e ainda pela inventiva interação de artes plásticas com literatura do italiano Massimo Massaglia. Apesar de não haver ligação oficial entre as mostras, que abrem simultaneamente à visitação amanhã, os três artistas investem na valorização de cores vibrantes e recortes.
O veterano Visconti leva ao Espaço Daniel Briand a exposição Saborear com os Olhos, na qual o artista apresenta 16 obras realizadas a partir de colagens com papel reciclado, juta e guardanapos que, harmonizados sobre a tela, adquirem formas “gastro-florais”, segundo definição de Zéllo. Isso porque o resultado alcançado foi uma mistura de arranjos de flores com frutas.
interaçãoO mesmo princípio da técnica de Zéllo é compartilhada pela apurada sensibilidade de Massimo Massaglia na mostra A Janela (O Meu Mundo, o Meu Olhar). O italiano, amante da literatura brasileira, reúne 25 quadros de pintura e colagens que interagem com trechos de obra de grandes poetas brasileiros, como Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana e Clarice Lispector.
Massaglia é um viajante, no sentido literal da expressão. Ao longo de anos trabalhando como artista plástico, desenvolveu obras com as técnicas óleo e guache sobre tela, monotipia, giz de cera, caneta esferográfica e xilogravura. Mas a colagem, de papel e tecidos, é a técnica que domina sua arte, considerada abstrata. Por meio das texturas, cores e luzes, Massimo constrói telas que buscam passar para o espectador emoção e sensibilidade.
Dono de uma maneira particular de trabalhar, muitas vezes deixa de lado pincéis e usa os dedos para dar formas as imagens na tela. Massimo trabalha sempre com cores fortes, deixando seus trabalhos vivos e intrigantes.
origensO terceiro, e não menos importante, Jeron, é um dos pintores mais rebuscados na construção de arte abstrata. Nascido na ilha do Chipre e radicado desde os anos 60 no Rio de Janeiro, ele busca nas suas origens gregas (por parte de mãe), a inspiração para a exposição Kroma Synergia, ou seja, ao pé-da-letra, Cor Sinergia, cartaz da Expoarte galeria. As obras reunidas nesse trabalho valorizam vibrantes tons de verde, vermelho e amarelo, que dão vida a formas geométricas distorcidas. Abstracionismo elevado ao cubo.