Ela teve tudo para ser uma perua mimada. Salvou-lhe o discurso coerente, ligeiramente destoante do raso universo cultural que costuma caracterizar as peruas. O fato é que, em América (20h55, Globo), Raíssa (Mariana Ximenes) deu uma guinada que a tornou bastante popular.
Desde que sua personagem virou “funkeira sangue bom”, Mariana Ximenes tem se divertido com as abordagens nas ruas. “É legal fazer um personagem que tem a possibilidade de mostrar tantas coisas, como o lado positivo do funk, mostrar que é possível integrar, por meio da música, a comunidade com outras pessoas de nível social diferente”, diz a atriz.
Tão engajada ela se encontra nessa campanha de nivelamento pelo funk que, no dia de seu casamento com Alex (Thiago Lacerda) — que ela acredita se chamar Roberto —, a jovem não pensa duas vezes e convida uma turma de funkeiros, que, empolgada, começa a cantar na igreja.
É claro que, mesmo sendo amiga dos funkeiros, a principal intenção da garota, ao convidá-los para a cerimônia de seu casamento, é chocar a família. Ela entrou em crise com o universo de aparências vivido por seus pais, Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni) e, daí em diante, quer mais é ver o circo pegar fogo.
Quem duvida que esse casamento transcorra às mil maravilhas acertou no palpite. Logo na cerimônia, em cenas oficialmente programadas para ir ao ar amanhã, o bicho vai pegar para Alex/Roberto – que será preso no altar. O vilão, que foi denunciado por Pimenta (Betty Faria), é acusado de tráfico e assassinato.
“Raíssa não vai entender o que está acontecendo”, comenta a atriz. “Na cabeça dela, isso vai ser passageiro. Por isso, ela resolve não perder a festa e vai para casa com a galera dançar ao som do funk. É um mecanismo de defesa. Mas ela ficará deprimida quando cair na real”.
Na opinião de Mariana, Raíssa tem de se reconciliar com a família, e também com Lurdinha (Cléo Pires), atual namorada de Glauco. “E podia rolar um par para ela se apaixonar”, torce. Como não há sinal de que América esteja por acabar, tudo é possível.
minissérieEnquanto isso, a atriz já é presença confirmada na minissérie JK, baseada na vida do presidente Juscelino Kubitschek e também produzida pela Globo. Vai viver uma personagem real: Lilian Gonçalves, filha de Nelson Gonçalves, que foi amiga de Juscelino.
A personagem não aparece de cara. Vai entrar na passagem da segunda para a terceira fase da trama. “É uma candanga, batalhadora, que chega com a mãe pobre em Brasília”, adianta a atriz, que aproveita para entregar o resto da história: “Hoje, ela é empresária da noite paulistana”.
Não é a primeira vez que Mariana Ximenes filma sobre o carismático presidente que fundou Brasília. Ela participou de JK — Bela Noite Para Voar, de Zelito Viana, em que personifica todas as amantes de Juscelino (José de Abreu): “Não tenho nome no filme, sou chamada de Princesa, apesar de ela ter sido inspirada numa mulher que foi amante de JK por 18 anos”.