Bastante freqüente na população brasileira, a formação de nódulos na tireóide nem sempre significa câncer, de acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Valéria Guimarães. Em 90% dos casos, os nódulos que aparecem na glândula são benignos. Quando diagnosticados precocemente, o tratamento é considerado excelente pelos especialistas.
Localizada na base do pescoço, a tireóide é pequena e tem a forma de borboleta, logo abaixo da cartilagem conhecida como “pomo-de-adão” ou gogó. A finalidade dela é produzir, armazenar e liberar hormônios tireoidanos que funcionam em todo o metabolismo do corpo humano.
Existem inúmeras doenças que podem acometer a tireóide. Entre elas, o hipotiroidismo ligado ao mau funcionamento da glândula, que passa a produzir pouco ou nenhum hormônio; o hipertiroidismo, ou seja, a superprodução de hormônios; e o câncer, que é tumor maligno de crescimento localizado dentro da glândula.
Quem sofre que hipotireoidismo geralmente sofre de intestino preso, o coração bate mais devagar, o cansaço e a sonolência são excessivos, há ganho de peso, aumento de colesterol no sangue, pele seca, queda de cabelos e dores musculares. Nas mulheres, a menstruação fica irregular e elas deixam de ovular.
Já o excesso do hormônio tireoidano faz com que o corpo funcione mais rápido. Alguns sintomas dessa disfunção são o enfraquecimento das unhas, calor excessivo, pouco sono, aceleração dos batimentos cardíacos, crescimento rápido dos cabelos, embora com queda acentuada de fios, entre outros.
Tanto o hipertireoidismo quanto o hipotireoidismo são doenças que estão diretamente relacionadas ao funcionamento da tireóide, diferentemente do câncer, que está ligado à estrutura da glândula.
Valéria Guimarães afirma que o câncer não se percebe em exames de sangue, como as outras doenças. “O câncer é assintomático. Para identificá-lo, é preciso fazer uma ecografia ou exames de apalpação que podem ser feitos pelo próprio paciente ou especialista”, destaca a endocrinologista.
Câncer O câncer de tireóide, como foi dito anteriormente, é um tumor maligno e já gerou, em todo o mundo, cerca de mil óbitos a cada ano. Ele é mais comum em pacientes que têm herança genética ou sofreram algum tipo de radiação na cabeça, pescoço ou tórax, ainda na infância.
De acordo com a endocrinologista Danícia de Queiroz, existem quatro tipos de câncer de tireóide. A diferenciada (papilar e folicular) é a mais comum. A evolução é lenta e o resultado do tratamento, quando o nódulo é detectado rapidamente, é satisfatório.
Existem também os cânceres medulares, considerados intermediários; anaplásicos ou indiferenciados, que são as mais devastadoras; e as metástases, que são as células cancerígenas oriundas de outra parte do organismo.
Atenção”Todo nódulo na tireóide merece atenção. O auto-exame é importante, mas o acompanhamento de um médico especialista é ainda mais, pois somente ele será capaz de analisar detalhadamente o problema”, afirma Danícia.
Dependendo do tamanho, um nódulo de tireóide pode tornar a voz rouca ou pode dificultar a respiração ou a deglutição (ato de engolir). Todavia, ele usualmente não produz sintomas e é descoberto acidentalmente pela própria pessoa, por meio do auto-exames, ou pelo médico, em exames de rotina.
“Assim como qualquer doença, é importante que se esteja atento para os sinais iniciais apresentados na tireóide, como os nóldulos. Uma vez detectada qualquer anormalidade, é muito importante procurar saber exatamente qual é o tipo de doença e fazer o tratamento específico para evitar uma cirurgia desnecessária”, ressalta Danícia. O tratamento do câncer da tireóide segue a mesma orientação para quase todos os casos, consistindo na cirurgia, seguida ou não do tratamento com iodo radiativo.