Enquanto soldados brasileiros participam da Força de Paz da ONU no Haiti, obras de vários artistas da ilha caribenha vêm a Brasília. Quadros, esculturas, fotografias e estandartes bordados integram a mostra Encontros e Reencontros na Arte Naïf: Brasil, Haiti, organizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e Ministério das Relações Exteriores. A exposição, no CCBB, de amanhã a 3 de julho, conta, também, com obras de renomados artistas brasileiros representantes da arte naïf – por definição, “arte ingênua”.
“O objetivo é estreitar os laços entre o Brasil e o Haiti”, conta Jacqueline Finkelstein, curadora da mostra e diretora do Museu Internacional de Arte Naïf do Rio de Janeiro (Mian), maior do mundo no gênero. As 106 obras haitianas e 46 brasileiras foram selecionadas do acervo do Mian.
A curadora aponta semelhanças entre a arte naïf do Haiti e a do Brasil: “Ambos os países foram colonizados e receberam escravos, que sofreram aculturação, mas preservaram sua religiosidade”.
Em comum, há registros de manifestações religiosas, jogadas de futebol, críticas às injustiças sociais, além do uso de cores fortes. “Um dos destaques é o quadro Haiti, Brasil 2004, de Maxon Jean Louis, que retrata o jogo da paz no Haiti, no ano passado”, afirma Jacqueline Finkelstein.
A curadora diz, ainda, que a arte haitiana é a principal forma de expressão do povo. “É como eu li uma vez: a arte é a língua de um povo que não tem cultura escrita intensa”, analisa. Segundo ela, quase 100% da população da ilha pinta.
Entre os artistas haitianos estão Prefepe Duffaut, ilustrador de mundos oníricos e cidades imaginárias, e Philome Obin, que, com seu trabalho, incentivou toda a família a seguir os caminhos da naïf.
Os representantes brasileiros são, entre outros, Paulo Pedro Leal, ex- empregado doméstico conhecido nacionalmente por retratar cenas de naufrágio, batalha e terreiros de umbanda; Poteiro, que mostra o folclore brasileiro; Chico da Silva, artista criador das próprias tintas e que pinta animais fantásticos; e Waldomiro Reis, que retrata lendas, festas populares e faz críticas sociais.