O Tribunal de Justiça do Distrito Federal pode ser considerado não só um local onde são tomadas as decisões jurídicas, mas também um museu, pelo acervo de arte brasileira que reúne. São cerca de 20 obras de artistas como Di Cavalcanti, Athos Bulcão, Siron Franco, Rubem Valentim, Glênio Bianchetti, Yara Tupinambá, Amorelli, Bernardo Cid, Milan Dusek, Rossini Perez, Emeric Marcier, entre outros. A maioria delas está no gabinete da Presidência do tribunal, outras ficam no Salão Nobre e o quadro de Rubem Valentim decora o gabinete da corregedoria.
“Nosso acervo começou com o primeiro presidente do tribunal, o corregedor Hugo Auler, um apaixonado por artes plásticas”, explica José Jerônymo Bezerra de Souza, desembargador que assumiu recentemente a presidência do TJDF.
Naquela época, lembra o desembargador, existia uma lei que permitia aos órgãos públicos usar a verba para comprar obras de artistas brasileiros. Algumas das primeiras aquisições, feitas entre 1963 e 1964, foram telas de Athos Bulcão. “Além de valorizar o trabalho do nosso artista, decorar os corredores dos tribunais com obras importantes faz o ambiente de trabalho ficar mais alegre e bonito”, opina o presidente do Tribunal de Justiça.
Um dos destaques da coleção é o quadro do ex-presidente Juscelino Kubitschek, feito por Di Cavalcanti. Ele fica no fundo da sala do presidente, de frente para a mesa dele. “Diz a história que JK posou somente duas vezes para Di Cavalcanti. Uma delas está aqui”, conta Bezerra de Souza.
Outras obras importantes são Ponte Costa e Silva e Lago Sul, de Milan Dusek, por retratarem cenas tipicamente brasilienses. Mascarados, uma tela a óleo de Athos Bulcão, é considerada uma das mais bonitas pelos funcionários.
Em 1996, as obras foram restauradas. Agora, uma das idéias do novo presidente é abrir para visitação do público o acervo, hoje restrito aos funcionários do órgão. “Só nos falta pessoal para colocar em prática essa sugestão. Mas, vamos nos organizar para dar a oportunidade a mais pessoas de verem as obras”, afirma o desembargador.
Além dos nomes mais famosos, fazem parte da coleção gravuras, telas e tapeçarias de Flávio Mota, Maria Celeste Marinho, Sérgio Lafetá, Heloísa Juraçaba, entre outros.