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Anos douradíssimos de Jobim

Arquivo Geral

04/06/2005 0h00

Não se atravessa a musicografia brasileira sem passar pela obra de Antônio Carlos “Brasileiro” Jobim. Ao mergulhar nos anos 2000 – uma década após a morte do compositor, completada no ano passado – seu vasto cancioneiro permanece imortal e contemporâneo: o mais importante músico brasileiro da segunda metade do século passado é lembrado mais uma vez (agora também pelas imagens que decoravam seus versos) em Fotografia: Os Anos Dourados de Tom Jobim, CD duplo que acaba de chegar às prateleiras via Universal Music.

A tarefa de tentar imprimir em 28 faixas os tais anos de ouro de Jobim não poderia ter sido fácil. Não foi e, mais do que isso, conseguiu driblar o óbvio das compilações com aquela marca de “as melhores”. Fotografia pega carona no rabo do cometa da homenagem em memória aos dez anos da morte do pianista – registrada em Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo, lançado pela Biscoito Fino em novembro passado – e brinda o ouvinte com uma antologia de raridades (devidamente remasterizadas) do “Maestro Soberano”.

Antes de se mostrar para o mundo, ou mesmo “inventar” a bossa nova, Jobim tocava de bar em bar na Copacabana do início dos anos 50. Em 52, foi contratado como arranjador pela Continental. Nesses anos de trabalhador braçal da música, ele começou a escrever suas primeiras composições. A primeira a ser gravada foi Incerteza (com Newton Mendonça), por Mauricy Moura. Depois veio Tereza da Praia, da parceria com Billy Blanco, gravada pelos grandes do samba-canção Lúcio Alves e Dick Farney.

Poderiam ser esses os anos de ouro de Jobim, porém, ao garimpar o acervo da Universal (que retém os direitos sobre os finados selos Philips, Verve e A&M), o jornalista Marcelo Fróes se deparou com uma imensidão de anos que contemplavam a obra do pianista de 40 anos de carreira.

Responsável pela pesquisa, escolha de repertório e comentários do encarte, Fróes pinçou para o 1° CD 16 famosos temas registrados por Jobim a partir de seu primeiro e tardio álbum-solo, Antonio Carlos Jobim – The Composer of Desafinado Plays (de 1963, gravado nos EUA e lançado no Brasil sem o subtítulo original), até o penúltimo trabalho da carreira com sua numerosa Banda Nova: Passarim, de 1987.

Do disco de estréia de Jobim, entram as versões originais das irretocáveis Garota de Ipanema (a quinta música mais executada no mundo), Água de Beber, Insensatez, Corcovado, Samba de Uma Nota Só, Chega de Saudade e Desafinado. Na seqüência, são peneirados três temas da parceria com Elis Regina (Águas de Março, Só Tinha de Ser Com Você e Fotografia); uma do encontro com Edu Lobo (Chovendo na Roseira); outra com Chico Buarque (Anos Dourados) e duas de Passarim (a faixa-título e Gabriela).

raridades O segundo CD da luxuosa compilação – que, vale ressaltar, inclui alguns cartões-postais cariocas e comentários faixa-a-faixa – redescobre as raridades de Tom Jobim. São, na maioria, músicas gravadas para projetos especiais desde o final da década de 50 até o início dos anos 90, nunca antes remasterizadas para CD.

Aqui está reeditada, logo na abertura, a primeira versão-solo do maestro para Águas de Março, até então encontrada, ou não, num compacto de 78 rotações lançado em 1972 na série Disco de Bolso, encartado no periódico O Pasquim. A mesma canção é editada de uma terceira gravação nesta segunda fatia da obra, agora, com o piano de Tom acompanhando a voz de Chico e Caetano Veloso.

O segundo CD de Fotografia reúne um repertório menos constante da carreira de Jobim, somado a algumas participações especiais em álbuns de colegas, como Paulo César Pinheiro (em Matita Perê, gravada sete anos depois da versão original, de 1973); João do Vale (Pé do Lageiro, gravada por Tom no disco-tributo ao próprio João); Nana Caymmi (Canção em Modo Menor); e o eterno poetinha Vinicius de Moraes (Soneto de Separação, musicado por Antônio Brasileiro). Entre os duos de Jobim e parceiros, aparecem a versão introspectiva de piano solo para Anos Dourados e as célebres poesias musicadas O Rio da Minha Aldeia (Alberto Caeiro) e Cavaleiro Monge (Fernando Pessoa).

Fotografia: Os Anos Dourados de Tom Jobim – CD duplo de gravações originais remasterizadas de Antônio Carlos Jobim (Universal Music/Mercury Records). Organizado por Marcelo Fróes. 28 faixas. Preço médio: R$ 54,90

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    A tarefa de tentar imprimir em 28 faixas os tais anos de ouro de Jobim não poderia ter sido fácil. Não foi e, mais do que isso, conseguiu driblar o óbvio das compilações com aquela marca de “as melhores”. Fotografia pega carona no rabo do cometa da homenagem em memória aos dez anos da morte do pianista – registrada em Antonio Carlos Jobim em Minas ao Vivo, lançado pela Biscoito Fino em novembro passado – e brinda o ouvinte com uma antologia de raridades (devidamente remasterizadas) do “Maestro Soberano”.

    Antes de se mostrar para o mundo, ou mesmo “inventar” a bossa nova, Jobim tocava de bar em bar na Copacabana do início dos anos 50. Em 52, foi contratado como arranjador pela Continental. Nesses anos de trabalhador braçal da música, ele começou a escrever suas primeiras composições. A primeira a ser gravada foi Incerteza (com Newton Mendonça), por Mauricy Moura. Depois veio Tereza da Praia, da parceria com Billy Blanco, gravada pelos grandes do samba-canção Lúcio Alves e Dick Farney.

    Poderiam ser esses os anos de ouro de Jobim, porém, ao garimpar o acervo da Universal (que retém os direitos sobre os finados selos Philips, Verve e A&M), o jornalista Marcelo Fróes se deparou com uma imensidão de anos que contemplavam a obra do pianista de 40 anos de carreira.

    Responsável pela pesquisa, escolha de repertório e comentários do encarte, Fróes pinçou para o 1° CD 16 famosos temas registrados por Jobim a partir de seu primeiro e tardio álbum-solo, Antonio Carlos Jobim – The Composer of Desafinado Plays (de 1963, gravado nos EUA e lançado no Brasil sem o subtítulo original), até o penúltimo trabalho da carreira com sua numerosa Banda Nova: Passarim, de 1987.

    Do disco de estréia de Jobim, entram as versões originais das irretocáveis Garota de Ipanema (a quinta música mais executada no mundo), Água de Beber, Insensatez, Corcovado, Samba de Uma Nota Só, Chega de Saudade e Desafinado. Na seqüência, são peneirados três temas da parceria com Elis Regina (Águas de Março, Só Tinha de Ser Com Você e Fotografia); uma do encontro com Edu Lobo (Chovendo na Roseira); outra com Chico Buarque (Anos Dourados) e duas de Passarim (a faixa-título e Gabriela).

    raridades O segundo CD da luxuosa compilação – que, vale ressaltar, inclui alguns cartões-postais cariocas e comentários faixa-a-faixa – redescobre as raridades de Tom Jobim. São, na maioria, músicas gravadas para projetos especiais desde o final da década de 50 até o início dos anos 90, nunca antes remasterizadas para CD.

    Aqui está reeditada, logo na abertura, a primeira versão-solo do maestro para Águas de Março, até então encontrada, ou não, num compacto de 78 rotações lançado em 1972 na série Disco de Bolso, encartado no periódico O Pasquim. A mesma canção é editada de uma terceira gravação nesta segunda fatia da obra, agora, com o piano de Tom acompanhando a voz de Chico e Caetano Veloso.

    O segundo CD de Fotografia reúne um repertório menos constante da carreira de Jobim, somado a algumas participações especiais em álbuns de colegas, como Paulo César Pinheiro (em Matita Perê, gravada sete anos depois da versão original, de 1973); João do Vale (Pé do Lageiro, gravada por Tom no disco-tributo ao próprio João); Nana Caymmi (Canção em Modo Menor); e o eterno poetinha Vinicius de Moraes (Soneto de Separação, musicado por Antônio Brasileiro). Entre os duos de Jobim e parceiros, aparecem a versão introspectiva de piano solo para Anos Dourados e as célebres poesias musicadas O Rio da Minha Aldeia (Alberto Caeiro) e Cavaleiro Monge (Fernando Pessoa).

    Fotografia: Os Anos Dourados de Tom Jobim – CD duplo de gravações originais remasterizadas de Antônio Carlos Jobim (Universal Music/Mercury Records). Organizado por Marcelo Fróes. 28 faixas. Preço médio: R$ 54,90

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