Deixar de se alimentar para ficar magro significa muito mais do que ter cuidado com a estética. Pode ser sinal de doença. A anorexia nervosa é muito comum em adolescentes, a maioria do sexo feminino, que se acham gordas mesmo estando abaixo do peso ideal. É um distúrbio alimentar que pode levar à morte.
A principal característica de uma pessoa com anorexia é a recusa em comer. Não há perda de apetite e sim uma limitação da ingestão de alimentos, causada pela obsessão pela magreza e o medo mórbido de ganhar peso.
Os anoréxicos fazem de tudo para anular seu apetite e, conseqüentemente, emagrecer, mas quanto mais emagrecem, mais se sentem gordos, pois há uma distorção na auto-imagem. A partir daí, desenvolve-se um círculo vicioso. Os sintomas são desnutrição, interrupção do ciclo menstrual e depressão. Os casos mais sérios podem ser fatais.
De acordo com a endocrinologista Marise Vilas Boas, da Clínica Companhia do Adolescente, normalmente é a família que percebe o problema. “O paciente insiste em negar, não quer fazer o tratamento, só pensa em perder peso”, explica a médica. A psicóloga Ádalis Bruno completa: “Ele rejeita qualquer tipo de ajuda, qualquer coisa que o tire da vida que está levando”.
O anoréxico costuma usar meios pouco usuais para emagrecer. Além de dieta, é capaz de induzir o vômito, usar indevidamente laxantes ou diuréticos e praticar exercícios intensos ou excessivos.
Segundo a psicóloga Ádalis, não se conhecem as causas fundamentais da anorexia nervosa. “Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e vulnerabilidade de personalidade”, afirma. Para ela, a mania de perfeição e problemas como perda de emprego ou morte de algum ente familiar podem desencadear a doença, mas não são as causas.
A nutricionista Marina Almeida conta que teve uma paciente que sofreu de anorexia por excesso de trabalho. “Ela passava o dia sem comer por não ter tempo. O estresse é um dos principais fatores que ajudam a desencadear a doença”, explica.
A endocrinologista diz que os pacientes ficam cerca de 85% abaixo do peso normal. Foi o caso da advogada Juliana (*nome fictício), hoje com 26 anos, que aos 19 chegou a pesar 37 quilos, com 1,68 metro. “Me achava gorda, mesmo que todos ficassem falando que eu não parava de emagrecer. Minha mãe me levou à força para um psicólogo. Hoje, estou bem, magra, no peso certo. Às vezes, ainda me acho gorda, mas não deixo de comer. Estou consciente”, relata.
Cerca de 10% dos casos de anorexia nervosa requerem internação em hospital para tratamento e 4% do total de pacientes morrem por inanição, ataque cardíaco, desequilíbrio dos componentes sangüíneos ou suicídio.