O transplante de órgãos, no Brasil, é, na maioria das vezes, um caso de grandes e exasperantes filas e, em algumas delas, um caso de polícia. O ideal é procurar uma alternativa a esta cirurgia e, no que se refere a uma doença dos olhos complicada, como é a ceratocone, existe um porcedimento possível – com tecnologia nacional – que é o anel de Ferrara.
Para entender o que é o anel de Ferrara, é preciso compreender primeiro a ceratocone, uma doença hereditárias que atinge uma em cada 20 mil pessoas. “Essa não é uma doença pouco comum e que, até algum tempo atrás, a medicina não conseguia diagnosticar com precisão”, afirma Sérgio Elias, oftalmologista da Clínica Oftalmed, de Brasília, e especialista em cirurgia refrativa.
distorçãoSegundo Sérgio Elias, a ceratocone é uma enfermidade que é caracterizada pela destruição de algumas camadas da córnea, que faz com que esta fique mais fina e curvada, distorcida.”O principal sintoma da doença é a visão embaçada, parecida com a miopia e com o astigmatismo”, esclarece o oftalmologista.
Um outro sintoma, que as pessoas devem ficar atentas, é a continuidade do problema, do embaçamento da visão, mesmo depois que o paciente começa a usar óculos.
“O ceratocone é uma doença bilateral, assimétrica, progressiva e não inflamatória da córnea”, define, por sua vez Eduardo Pena, professor de Oftalmologia da Universidade de Brasília – UnB. Ele explica ainda que quanto mais grave a enfermidade, mais alto o grau de embaçamento da visão.
induçãoO especialista explicou ainda que o ceratocone pode ser induzido. É o caso das pessoas que resolvem fazer a cirurgia a laser para reduzir a miopia. “Quanto mais graus o paciente tirar nesta cirurgia, mais a córnea fica fina, podendo caracterizar a ceratocone. Por isso, a pessoa deve ficar atenta. Se tiver que correr este risco, eu prefiro não realizar a cirurgia”, alerta o oftalmologista.
multifatorialDe acordo com Sérgio Elias as causas do ceratocone são multifatoriais: “Ela é congênita, já nasce com a pessoa, e pode ser provocada pela ato de coçar freqüentemente o olhos (mas, para isso, a pessoa já tem que ter a predisposição hereditária, ou ainda, acreditam, por uma enzima que destrói camadas da córnea”.
Hoje em dia, com a evolução tecnológica, a doença pode ser diagósticada por meio de exames como a topografia da córnea, feita com um aparelho chamado ceratoscópio (que substituiu o antigo e não muito preciso ceratômetro) e com o orbscam, considerado tecnologia de ponta.