Esqueça aquela figura cuja simples presença significava escândalo. Pelo menos nos últimos tempos, a cantora Preta Gil mantém significativa distância das confusões. Toda quarta-feira, sai de sua cobertura em Ipanema, no Rio, e encara mais de uma hora de trânsito para participar do culto da Assembléia de Deus de Mariópolis, no subúrbio carioca de Anchieta.
Essa viagem faz parte da rotina de Preta, criada no candomblé, desde que ela começou a ler a Bíblia, há um ano. “Eu me apaixonei por Cristo”, conta. “As pessoas acham que é mais uma moda minha, que vai passar… Não é. Eu mudei muito desde então”.
Preta, que marcou a nova fase com o nome Jesus Cristo tatuado no braço esquerdo, parou de freqüentar noitadas e jura que não bebe mais nada alcoólico. “Ficou aquela imagem da Preta polêmica, que faz suruba, que transa com mulher. Falei de coisas que fiz, mas que não faço mais”.
Preta, que ainda não se batizou, diz que existe uma grande responsável pelo seu encontro com Deus: a missionária Márcia Dornelas. “Passei a ir à igreja depois que recebi algumas revelações por meio dela”, afirma. Uma dessas revelações foi a previsão de que a cantora assinaria contrato com a Globo para participar da novela Agora é que São Elas.
“Preta ficou surpresa”, lembra Márcia. “Eu tenho o dom da visão e faço questão de ressaltar que não é adivinhação”. Ela destaca que esse dom é bíblico. Nos cultos, Preta reza, canta e dá testemunhos de fé. Os fiéis adoram sua presença.
“Antes as pessoas queriam autógrafos, mas hoje se emocionam com seus testemunhos e a acolhem de uma maneira muito bonita”, conta o pastor. Ninguém aqui liga se ela é Preta Gil. Eu digo a todos que falar mal de Preta é pecado”.
Enquanto isso, as negociações fluem na vida de Preta Gil. Nos próximos dias deve ficar pronto o cenário do programa Caixa Preta, atração prevista para estrear em meados de maio na Bandeirantes, indo ao ar aos sábados, a partir das 22h.
“As pessoas vão fazer perguntas, que podem ser respondidas por uma personalidade que for ao programa ou alguém que a gente parar na rua”, adianta. “Se alguém vier me pedir autógrafo e eu achar que pode sair dali algo interessante, vou fazer uma pergunta”. Isso promete.