Pense em uma paixão arrebatadora, daquelas movida por sentimentos carregados de emoções radicais. Tudo o que tempera um grande amor, daqueles mais desbragados, está presente em Lecuona, espetáculo que o grupo mineiro de dança Corpo está apresentando até segunda-feira, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
A nova coreografia do grupo é baseada nas canções românticas do cubano, um ícone nacional, Ernesto Lecuona. Tão vasta inspiração foi captada com sensibilidade, angústia e entrega pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras. São 12 pas-de-deux e uma dança coletiva que transpiram sensualidade, algumas vezes beirando ao erótico, e criatividade.
Em uma das canções, Mariposa, os passos rápidos se contrapõem à música de amor desmedido, como é característica da arte de Pederneiras. Insuspeitadamente, a coreografia termina violentamente, com a mulher aos pés do homem. Em Yo Te Quiero Siempre, é a vez do homem se arrastar literalmente aos pés da mulher. Assim na arte, como na vida e como em Lecuona.
É impressionante como, mesmo parecendo se repetir em um momento ou outro, o coreógrafo oficial do grupo consegue se reiventar, transformando o velho exercício do pas-de-deux numa troca de gestuais e invenção que alcança perfeitamente o universo amoroso proposto pela música. Está tudo ali: ardor e dor.
Com um cenário simples, a princípio, mas que surpreende, e um figurino enxuto e elegante, Lecuona é o Corpo mais do que nunca de corpo e alm