Oinverno é crítico não só para os portadores de doenças respiratórias. Durante esse período, a procura por pronto-socorros para tratar crises de alergia cresce muito: em crianças até 13 anos, o aumento é de 50%; em adultos, a alta é de 40%. Os índices são baseados em estudos realizados em hospitais públicos da cidade de São Paulo, que também apontam a asma como o principal problema, seguida pela rinite.
A situação acaba por exigir uma atenção reforçada dos médicos, sobretudo dos que trabalham nos pronto-atendimentos. “Além de prescrever o tratamento paliativo, o médico deve orientar o paciente e a família sobre a importância da higiene ambiental e da continuidade do tratamento”, afirma Alfésio Braga, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP).
Em casaO ar respirado em casa pode ser ainda mais nocivo do que o ar da rua. Segundo Dirceu Solé, professor titular de Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia da Unifesp, a poluição em ambientes domésticos é uma das maiores causas das crises de asma em crianças.
Os inimigos são os produtos de limpeza, perfumes e cigarro, além da poeira constituída por descamação da pele humana e de animais, restos de pêlos de cães e gatos, de barata e outros insetos, fungos, bactérias e organismos microscópicos conhecidos como ácaros. Este último é o principal vilão da poeira que causa alergia. Alimentando-se de pele, vive em colchões, sofás, tapetes, cortinas e bichos de pelúcia.
O combate deve começar pela eliminação do inimigo. A casa, principalmente o quarto onde o alérgico dorme, deve ser limpa com freqüência, sem vassoura nem espanador. O aspirador – ou um pano limpo e úmido – é o mais indicado. O local deve ser bem ventilado e exposto ao sol, os travesseiros e almofadas precisam ser encapados e a roupa de cama, trocada semanalmente.
Com esses procedimentos higiênicos, de acordo com os alergistas da Unifesp, é possível reduzir os ácaros ou demais alérgenos. Assim, a freqüência das crises tende a diminuir e a qualidade de vida do alérgico melhorar.
O cuidado com os bebês deve ser redobrado. A defesa imunológica nessa fase é pouco desenvolvida, o que favorece a alergia, caso não haja higiene no ambiente em que vivem. Além da limpeza diária do quarto das crianças, é preciso trocar lençóis e cobertores e manter higienizados os objetos que elas usam. Veja, ao lado, os cuidados para evitar alergias nos bebês.