Dos 37,8 milhões de pessoas em todo o mundo afetadas pelo vírus HIV, causador da Aids, cerca de 4,9 milhões contraíram o vírus em 2004, o que representa um aumento de 12% em relação a 2003, segundo relatório anual do programa conjunto da ONU sobre o HIV (ONUAids) e da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgado ontem, em Genebra, na Suíça. Após mais de 20 anos e 20 milhões de mortes desde o aparecimento do primeiro caso de Aids, em 1981, os resultados do estudo de 2004 sobre a doença feito pela ONU é alarmante.
Na América Latina – que tem cerca de 400 milhões de habitantes – há aproximadamente 1,7 milhão de pessoas portadoras do vírus da Aids (0,43% da população). Cerca de 600 mil casos são no Brasil, que tem 177 milhões de habitantes (0,34% da população infectada). A epidemia, segundo o relatório, estende-se por todas as regiões do Brasil, mas mostra algumas variações, segundo especialistas. No último ano, 3,1 milhões de pessoas morreram da doença em todo o mundo.
O aspecto mais alarmante da epidemia reside precisamente no ritmo progressivo de sua propagação. O índice mais significativo corresponde ao leste da Ásia, seguida pelo leste da Europa e Ásia Central. No leste asiático, houve um aumento de 56% nos últimos dois anos, enquanto que nas outras duas regiões foi de 48%. As mulheres são mais vulneráveis e atualmente representam quase metade dos 37,2 milhões de adultos – com idades entre 15 e 49 anos – portadores do HIV no mundo.
FocosO Caribe é também uma das regiões mais afetadas no mundo: “A transmissão do HIV ocorre principalmente por meio das relações heterossexuais, embora as relações sexuais entre homens, que são muito estigmatizadas, também impulsionam a epidemia nos países caribenhos, onde a Aids passou a ser a causa principal da mortalidade em adultos com idades entre 15 e 44 anos”, diz o relatório.
O estudo destaca que não existe uma só epidemia de Aids no mundo. Muitas regiões e países estão experimentando diversas epidemias, algumas delas ainda nas primeiras fases. À medida que aumenta o número de pessoas que contraem o vírus da Aids e vivem com a doença, cresce também o número das que precisam de tratamento anti-retroviral, assim como de cuidado para as infecções.