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Acústico com a marca do inusitado

Arquivo Geral

15/10/2005 0h00

Quem acha que um álbum acústico se resume apenas a um banquinho e um violão está redondamente enganado. Quem mostra isso claramente é O Rappa, com Falcão (vocais), Xandão (guitarra), Marcelo Lobato (bateria) e Lauro (baixo), componentes da banda carioca, em seu mais novo CD-DVD Acústico MTV. O CD chega às lojas na segunda-feira, dez dias antes do DVD.

Com o intuito de fazer um som de peso, revolucionário para um trabalho acústico, que fugisse do óbvio, o grupo aceitou o desafio de gravar o álbum, ainda sob os cuidados do produtor Tom Capone, falecido em setembro de 2004 em um acidente de moto em Los Angeles. “Seria muito óbvio produzir o nosso primeiro DVD com músicas inéditas. Na verdade, chegamos a fazer quatro inéditas, mas só duas foram selecionadas, as outras são músicas desconhecidas que vão ser relançadas”, disse Falcão na última quinta-feira, durante entrevista coletiva de lançamento do álbum, no Estúdio Mega, em São Paulo.

O vocalista lembrou que o público já tem acesso a CDs com as melhores músicas da carreira por meio dos piratas. “Eles costumam escolher as melhores de cada álbum e montar um só. Por isso, não repetimos esse trabalho, ele já existe”, brincou.

“A época do Tom foi muito proveitosa, mas precisávamos sair do baixo-astral. Para isso chamamos o Miranda”, explicou Falcão sobre a contratação do novo produtor, Carlos Eduardo Miranda. Xandão disse que o bom produtor não interfere no som, ele faz o melhor para o grupo. “O Miranda é assim”. O grupo lembrou que o mais interessante foi a coincidência dos projetos. “Nós estávamos querendo partir para o novo, sair da mesmice e ele tinha o mesmo objetivo para o grupo”. Falcão lembrou que Tom Capone comentava a possibilidade de fazer um som assim. “Apesar da dúvida, a vontade de inovar venceu”, disse. Outro aspecto que levou o grupo a questionar a gravação foi o curto período de tempo do lançamento do álbum anterior. “Silêncio Q Precede o Esporro (2003) tem só dois anos, nem lançamos ainda em algumas regiões”, informou Falcão.

A vontade de produzir “o novo” foi maior que os problemas que isso poderia ocasionar. “Estamos amarradões nesse trabalho, este é um momento muito especial para nós. É uma grande fase”, comemorou o vocalista. Por conta dos instrumentos, o baterista Marcelo Lobato finalmente pode usar ao vivo os que adquiriu durante os 12 anos de carreira da banda. “Apostamos na sabedoria do Lobato e na competência do Miranda, que é um cientista da música”, elogiou o baixista Lauro. As 19 canções do DVD e as 13 do CD foram escolhidas pelo momento. “Demos uma nova roupagem a músicas antigas. Quem não conhece o trabalho de O Rappa pode até achar que são inéditas”, informou Xandão. “Como a indústria brasileira de CDs ainda não lançou um com uma capacidade bem maior, tivemos que restringir algumas faixas, mas não foi fácil. Procuramos resumir o DVD com 19 canções em um CD com 13, de forma que causasse o mesmo impacto”, lembra o guitarrista.

Para existir o acústico foram necessárias várias experimentações. Por inspiração do próprio Tom, eles atacaram nos instrumentos acústicos mais inusitados: bandolins, craviolas, violas caipiras e violões, um steel drum, vibrafone, piano Wurlitzer, órgão, acordólia (instrumento comprado em Praga, capital da República Checa), instrumentos indianos e as mais inusitadas peças de percussão. Além disso, o álbum conta ainda com a participação do DJ Negralha, em uma pick-up MK2 adaptada, fazendo estripulias do gramafone e do gramadisco e a orquestra de campainhas. “Esse é um acústico querendo ser eletrônico”, definiu Lobato, ressaltando que as campainhas deram um charme diferente para a música. “Tinha a ver com o próprio cenário”, contou. Na verdade, segundo Xandão, toda essa diversidade instrumental começou com experiências na música O Pescador de Ilusões. “Fizemos um série de colagens percussivas, tendo como astro o histórico gramafone”. E bota histórico nisso. O instrumento foi adquirido por Falcão na Holanda. “Eu trouxe o instrumento na cabeça igual a um rapper (risos). No dia, tinha um japonês querendo comprar o gramafone também, mas o vendedor me escolheu porque viu a minha paixão pelo instrumento e a minha vontade de vê-lo tocar”, recordou Falcão. Em busca da sonoridade diferente, o grupo conseguiu fugir do tradicional e produziu um acústico especial. “Com todo respeito ao instrumento, tem horas que não temos que ter tanto pudor para tocar, criando assim uma nova forma”, afirmou Xandão.

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    Com o intuito de fazer um som de peso, revolucionário para um trabalho acústico, que fugisse do óbvio, o grupo aceitou o desafio de gravar o álbum, ainda sob os cuidados do produtor Tom Capone, falecido em setembro de 2004 em um acidente de moto em Los Angeles. “Seria muito óbvio produzir o nosso primeiro DVD com músicas inéditas. Na verdade, chegamos a fazer quatro inéditas, mas só duas foram selecionadas, as outras são músicas desconhecidas que vão ser relançadas”, disse Falcão na última quinta-feira, durante entrevista coletiva de lançamento do álbum, no Estúdio Mega, em São Paulo.

    O vocalista lembrou que o público já tem acesso a CDs com as melhores músicas da carreira por meio dos piratas. “Eles costumam escolher as melhores de cada álbum e montar um só. Por isso, não repetimos esse trabalho, ele já existe”, brincou.

    “A época do Tom foi muito proveitosa, mas precisávamos sair do baixo-astral. Para isso chamamos o Miranda”, explicou Falcão sobre a contratação do novo produtor, Carlos Eduardo Miranda. Xandão disse que o bom produtor não interfere no som, ele faz o melhor para o grupo. “O Miranda é assim”. O grupo lembrou que o mais interessante foi a coincidência dos projetos. “Nós estávamos querendo partir para o novo, sair da mesmice e ele tinha o mesmo objetivo para o grupo”. Falcão lembrou que Tom Capone comentava a possibilidade de fazer um som assim. “Apesar da dúvida, a vontade de inovar venceu”, disse. Outro aspecto que levou o grupo a questionar a gravação foi o curto período de tempo do lançamento do álbum anterior. “Silêncio Q Precede o Esporro (2003) tem só dois anos, nem lançamos ainda em algumas regiões”, informou Falcão.

    A vontade de produzir “o novo” foi maior que os problemas que isso poderia ocasionar. “Estamos amarradões nesse trabalho, este é um momento muito especial para nós. É uma grande fase”, comemorou o vocalista. Por conta dos instrumentos, o baterista Marcelo Lobato finalmente pode usar ao vivo os que adquiriu durante os 12 anos de carreira da banda. “Apostamos na sabedoria do Lobato e na competência do Miranda, que é um cientista da música”, elogiou o baixista Lauro. As 19 canções do DVD e as 13 do CD foram escolhidas pelo momento. “Demos uma nova roupagem a músicas antigas. Quem não conhece o trabalho de O Rappa pode até achar que são inéditas”, informou Xandão. “Como a indústria brasileira de CDs ainda não lançou um com uma capacidade bem maior, tivemos que restringir algumas faixas, mas não foi fácil. Procuramos resumir o DVD com 19 canções em um CD com 13, de forma que causasse o mesmo impacto”, lembra o guitarrista.

    Para existir o acústico foram necessárias várias experimentações. Por inspiração do próprio Tom, eles atacaram nos instrumentos acústicos mais inusitados: bandolins, craviolas, violas caipiras e violões, um steel drum, vibrafone, piano Wurlitzer, órgão, acordólia (instrumento comprado em Praga, capital da República Checa), instrumentos indianos e as mais inusitadas peças de percussão. Além disso, o álbum conta ainda com a participação do DJ Negralha, em uma pick-up MK2 adaptada, fazendo estripulias do gramafone e do gramadisco e a orquestra de campainhas. “Esse é um acústico querendo ser eletrônico”, definiu Lobato, ressaltando que as campainhas deram um charme diferente para a música. “Tinha a ver com o próprio cenário”, contou. Na verdade, segundo Xandão, toda essa diversidade instrumental começou com experiências na música O Pescador de Ilusões. “Fizemos um série de colagens percussivas, tendo como astro o histórico gramafone”. E bota histórico nisso. O instrumento foi adquirido por Falcão na Holanda. “Eu trouxe o instrumento na cabeça igual a um rapper (risos). No dia, tinha um japonês querendo comprar o gramafone também, mas o vendedor me escolheu porque viu a minha paixão pelo instrumento e a minha vontade de vê-lo tocar”, recordou Falcão. Em busca da sonoridade diferente, o grupo conseguiu fugir do tradicional e produziu um acústico especial. “Com todo respeito ao instrumento, tem horas que não temos que ter tanto pudor para tocar, criando assim uma nova forma”, afirmou Xandão.

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