Só na Globo, Tarcísio Meira e Glória Menezes fizeram juntos mais de dez trabalhos e ainda tiveram um programa de TV em homenagem a eles. O casal se conheceu no trabalho, em 1961, na Rádio Tupi. Só em 1963, depois de casados, contracenaram juntos em 2-5499 Ocupado, novela da TV Excelsior.
“Nos anos 60, já na Globo, quando resolveram trocar os pares do casal, o público reagiu mal, e a novela A Gata de Vison (1969) não deu certo”, conta o especialista em televisão Mauro Alencar. “Na novela seguinte, os pares voltaram.”
Segundo o pesquisador, que estuda telenovelas, a repetição de um casal que deu certo em uma novela agrada ao telespectador por mexer com a memória emotiva, tanto pessoal quanto coletiva.
“Sempre haverá uma lembrança das imagens que agradaram, e isso aumenta as chances de um novo sucesso. Não sei se os autores usam estudos sobre isso ou se agem por intuição, mas, quando criam um personagem, eles já sabem quais são os atores e os casais que podem dar certo”, explica.
Na história das novelas, há, para Alencar, casais que como Glória Menezes e Tarcísio Meira fizeram história. “As cenas de Regina Duarte e Francisco Cuoco fizeram muito sucesso, tanto em Legião dos Esquecidos, da TV Excelsior, como em Sétimo Sentido, o primeiro Caso Especial, de 1971.
Também foram marcantes os trabalhos de Suzana Vieira e José Wilker. Quando eles reapareceram em Senhora do Destino (2004), apostei que repetiriam o par de antigamente”, diz, referindo-se ao fato de o casal Maria do Carmo e Giovanni ficar junto.
Safira e Alberto Em Belíssima, Cláudia Raia e Alexandre Borges são Safira e Alberto, que já se casaram e se separaram duas vezes e têm uma filha em comum, Giovana (Paola Oliveira).
“Eles vão brigar muito”, adianta o ator, que, a cada novo trabalho, diz admirar ainda mais a parceira. “A Cláudia é uma grande profissional, e isso torna o trabalho mais agradável. É legal poder mostrar casais diferentes com as mesmas pessoas.”
Para Cláudia, os encontros com Borges na dramaturgia se devem à aceitação do público. “Acho que as pessoas gostam de nos ver juntos, nos damos bem”, fala.
Eles fizeram Engraçadinha (1995), atuaram em A Próxima Vítima (1995), As Filhas da Mãe (2001) e O Beijo do Vampiro (2002).
Depois de gravar cenas com muitos beijos e abraços, casais que deram certo na ficção acabam repetindo o sucesso na vida real. Quem não se lembra de Raí (Marcello Novaes) e Babalu (Letícia Spiller) na novela Quatro por Quatro (1994) que depois de atuarem na trama, se casaram de verdade? E Cláudia Raia e Edson Celulari, Glória e Tarcísio, e, mais recentemente, Adriana Esteves e Vladimir Brichta?
Com Alexandre Borges e Júlia Lemmertz ocorreu algo parecido. “Cheguei ao Rio de Janeiro em 1990, e nos conhecemos em um teste para um filme, que acabou nem rolando. Começamos a namorar e só depois trabalhamos juntos, na peça “Hamlet”, no ano seguinte. Adoro contracenar com a Júlia. Ela é uma grande atriz”, elogia