O artista baiano Toninho de Souza chegou a Brasília com apenas sete anos de idade, em 1957, quando seu pai veio ajudar na construção da cidade. Na época já mostrava interesse pela arte. Enquanto a mãe fazia comida para os candangos, ele rabiscava com argila. Na escola, começou a fazer desenhos com lápis de cor e caricaturas no quadro-negro. Em 1960, mudou-se para Sobradinho, onde mora até hoje. Atualmente é considerado um dos nomes mais importantes das Artes Plásticas na cidade. Neste mês, ele completa 35 anos de trabalho com a abertura de duas exposições. Uma delas é Objetos, no Museu de Arte de Brasília, com 15 peças inéditas. A outra é a mostra Pinturas e Esculturas de Metal, em cartaz no Espaço Cultural da Embaixada da Colômbia. As temáticas dos trabalhos são sempre críticas à sociedade, à política, às drogas e ao comportamento. Toninho afirma que começou a pintar profissionalmente em 1978. “Antes disso considero um trabalho amador”, diz. O primeiro trabalho de óleo sobre tela veio em 1970, intitulado Sonhos. Concluiu o curso de Administração de Empresas em 1978, na Faculdade Católica. Durante 15 anos trabalhou como gerente e por quatro anos foi diretor de cultura de Sobradinho. Agora, se dedica exclusivamente ao trabalho artístico. “Viver de arte é difícil, mas é muito prazeroso”, diz. Tudo que sabe, aprendeu sozinho. “Nunca fiz nenhum curso. Não me inspirei em ninguém, nem em nenhum movimento. Criei meu próprio estilo”, afirma. Em 1983, pintou a série Melanciacultura, que lançou no Espaço Cultural da 508 Sul. Em 1986, expandiu suas fronteiras e inaugurou uma galeria em São Paulo. “Foi um trabalho que desenvolvi com o tema melancia, que me proporcionou vários prêmios nos salões da cidade”, lembra. Certo dia, em uma visita ao Zoológico, se encantou com as araras e os tucanos. E com seu olhar de artista criou, em 1993, o melantucanarismo, uma linguagem artística que transformou melancias, araras e tucanos em ícones em sua arte. “Talvez eu seja o único artista brasileiro que transforma elementos brasileiros numa modalidade artística”, conta Toninho. O artista de 52 anos já teve seus trabalhos expostos em pontos de ônibus, tapumes de obras, listas telefônicas e contas de luz. E o trabalho não se limita ao Brasil. A obra de Toninho esteve em exposições em Nova York, Boston, México, Berlim, Londres, Paris, Iugoslávia e Iraque. De acordo com o artista, em 1997 ele começou a pesquisa sobre o que ele chama de objeto estranho não identificado ou esculpintura. O trabalho é uma expansão da tela em terceira dimensão. “Foi uma tentativa de me inserir na arte contemporânea, em uma época que a pintura estava sendo deixada de lado nas exposições. A minha preocupação era manter viva a pintura e inovar”, afirma. Entre uma tela e outra, o artista participa ainda do projeto Ateliê Aberto, uma parceria da Secretaria de Cultura e da Sociedade dos Artistas Plásticos de Brasília. Nele, Toninho de Souza abre seu ateliê em Sobradinho para que o público possa conhecer o processo de criação da arte. “A população está convidada para conhecer a minha obra, ou nas exposições, ou no meu ateliê”, conclui.