Quem ouve Marcelo D2 misturando samba e hip hop e acha o máximo, precisa ouvir o novo disco do Picassos Falsos. A nova geração pode se perguntar: “falso o quê?” A banda carioca com nome paulistano, mas que surpreendeu em meio à mesmice que imperava no rock brasileiro no final dos anos 80, volta 15 anos depois com um excelente trabalho, Novo Mundo, o terceiro da carreira retomada no final do ano passado.
Humberto Effe (vocal), Gustavo Corsi (guitara), Luis Henrique Romanholli (baixo) e Abílio Rodrigues (bateria) estão de volta com um repertório amadurecido e ótimas sacadas no melhor estilo do samba crítico inspirado em Noel Rosa. O quarteto apresenta um rosário de bons sambas-pop-rock em Rua do Desequilíbrio e Pra Deixar de Ficar Só, cai no baião percorrendo uma das principais avenidas da cidade do Rio de Janeiro em Presidente Vargas.
Depois de cada qual experimentar trabalhos paralelos e solos – Humberto Effe fez trilha sonora com Dado Villa-Lobos e compôs para Frejat e Skank; Corsi fundou a Rio Sound Machine e tocou com meio mundo funk; Romanholi assumiu a carreira de jornalista; e Abílio foi lecionar filosofia e vender instrumentos musicais em sua loja – uma das bandas mais influentes do pop rock nacional voltou a gravar . Os cariocas dos Picassos tinham deixado apenas dois discos em uma vida curta de pouco mais de três anos, mas Picassos Falsos (1987, Plug/RCA) e Supercarioca (1988, Plug/BMG Ariola). Na época, surpreenderam, um soco no estômago de quem esperava mais uma bandinha de rock. Agora, num trabalho temporão, têm sua prova de fogo.