Homem que beija babado e sussurra baixaria para qualquer uma que vê na rua; mulheres vingativas que debocham dos atributos sexuais de seus ex-namorados, gente que tem mania de chupar o dedão de pé. Os dias de impunidade de quem comete esses e outros “delitos” estão prestes a acabar. Ao menos na ficção. Estréia amanhã, na Rede Globo, Os Aspones, a nova série cômica que vai ocupar o horário antes destinado a Os Normais e Sexo Frágil. O enredo mostra cinco colegas de trabalho que, na falta de coisa melhor pra fazer, se dedicam a esculhambar cidadãos de comportamento reprovável.
A atração é ambientada numa repartição pública em Brasília, mas o diretor José Alvarenga Jr. e os autores Alexandre Machado e Fernanda Young – o mesmo trio de Os Normais – fazem questão de dizer que não se trata de uma crítica aos servidores. “Em qualquer escritório as pessoas não têm muito o que fazer, passam 70% do tempo fofocando. É um fenômeno que não acontece só numa repartição pública, mas aqui caiu bem”, diz Alexandre. “A idéia é mostrar o que acontece quando um grupo de pessoas convive muito tempo num lugar fechado. As relações, as traições, os amores platônicos, as puxadas de tapete, as paranóias, completa Alvarenga.
No elenco, Drica Moraes, Marisa Orth, Pedro Paulo, Rangel interpretam Moira, Anete e Caio, os funcionários de um arquivo morto inaugurado durante a ditadura – o cenário tem até a placa que teria sido decerrada pelo general Médici, então presidente do País, em 1969 – que perdeu sua função. A rotina dos personagens muda com a chegada de um novo chefe, Tales (Selton Mello). “O Tales chega e se depara com três caras encostados, que não fazem nada. Traz a estagiária que achou meio gata (Leda, papel de Andréa Beltrão) e decide dar um jeito naquilo”, conta Selton. É aí que os colegas têm a idéia de transformar o fictício Fundo Ministerial de Documentos Obrigatórios, em Falar Mal dos Outros, um lugar onde todas pessoas do País que cometem pequenos delitos recebem uma lição de moral.
“Eles se empenham nessa nova missão: esculhambar as pessoas escrotas. Tem uma coisa ideológica, tipo Liga da Justiça”, compara Andréa. “É, a gente pensou esse nome, Os Aspones, porque parece nome de super-heróis”, brinca Fernanda Young, lembrando que o título do programa significa Assessores de Porcaria Nenhuma.