O baião de Sivuca está ainda mais diversificado. Do fole da sanfona do instrumentista já saíram belos temas de samba-canção, chorinho, baião e jazz, mas nenhum ganhara acabamento tão refinado quanto o que se vê nos tangos, valsas e polcas do álbum Sivuca e Quinteto Uirapuru (Kuarup Discos).
A química entre a experiência do mago paraibano e a versatilidade do Quinteto Uirapuru apresenta um resultado que é tão erudito quanto popular, com composições assinadas, na maioria, por Sivuca e sua esposa, Glorinha Gadelha. Um disco completo: introspectivo e alegre; conservador e ousado.
Sivuca esbanja competência na seara da valsa européia (Sanhavá) e do tango argentino (Canção Piazzollada, clara homenagem ao mestre Astor), sem perder a pegada do baião que tanto lhe apraz (e ao seu ouvinte). O quinteto de cordas (dois violinos, viola clássica, cello e contrabaixo), por sua vez, é tão protagonista nesta história quanto Sivuca. Além de acompanhar o sanfoneiro, o conjunto assina a produção musical.
O contrabaixista Hercílio Antunes abrilhanta o espetáculo do álbum com a concessão das canções Chibanca no Uirapuru e Espreguiçando (duas das mais inventivas do disco). O instrumentista é ousado em sua performance que, claramente, se desprende da partitura e pega carona no virtuosismo de Sivuca.
Por 12 faixas gravadas ao vivo em estúdio, e sem cortes, é possível conferir uma nova e mais aprimorada versão para o clássico do acervo de Sivuca Feira de Mangaio. Além disso, o repertório reserva alguns bons momentos de introspecção com as músicas do primeiro violino do quinteto, Rucker Bezerra (responsável pela direção musical, ao lado de Glorinha).
É inegável que Sivuca é a estrela que brilha mais forte neste trabalho conjunto com o Uirapuru. A obra alcança sua plenitude pela somatória da bagagem popular e genial do mestre paraibano e a linguagem acadêmica e versátil dos cinco uirapurus das cordas.