Menu
Promoções

A mulher que ousou denunciar a Grã-Bretanha

Arquivo Geral

01/07/2004 0h00

Mulher e mistério sempre combinaram. Na maioria das vezes as misteriosas são loiras, mas isso não impede que outras etnias se aventurem, por exemplo, pelo intrigante mundo da espionagem. Se isso tudo povoa e tempera o mundo imaginário das pessoas, na vida real a coisa pode ser bem mais emocionante.

É o que mostra Corinne Souza em A Espiã de Bagdá. Mais que um romance instigante, aqui a autora apresenta a biografia da vida secreta de toda uma família, tendo como cenário inicial o Iraque do ano de 1958 – quando o “Rei Menino” foi assassinado.

Nessa época, o pai de Corinne foi recrutado pelo Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha para ajudar nas investigações em Bagdá. A família toda viveu momentos de muita tensão até os anos 70, quando, finalmente, o pai da autora pôde voltar a Londres. Àquela altura, entretanto, ele se desentendeu com o Estado e a família voltou a enfrentar muitos problemas.

Durante muitos anos, o Serviço Secreto tentou silenciar Corinne – cujo “crime” consistiu em recusar-se a seguir os passos de seu pai. Por ironia do destino, a imensa pressão que ela sofreu acabou por fazê-la ingressar na mesma carreira – só que com punho de ferro para defender seu pai e sua dignidade.

Em outubro de 2002, quando finalizou este livro, Corinne publicou uma carta aberta ao diretor-geral do Serviço Secreto de Inteligência de Londres, Sir Richard Dearlove. Começava assim: “Este livro é sobre um espião, sua filha e sua tristeza. O espião era meu pai, Lawrence de Souza. Era o melhor dos homens. A tristeza é minha. Se ler minha história, compreenderá por que”.

É uma abordagem que, em diversos momentos, poderá chocar o leitor. Nada mais natural. Corinne, graduada pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, teve a coragem de denunciar as exigências absurdas que um serviço secreto impingia a seus agentes.

“Espero que a Coroa beba o petróleo que tanto quer”, conclui ela num dos capítulos. “Envergonhou o povo britânico, em cujo nome saqueou e destruiu o Iraque e o Curdistão”. Mistério, espionagem e um inabalável senso de dignidade como raiz de uma postura das mais corajosas. Isso também combina com mulhe

    Você também pode gostar

    A mulher que ousou denunciar a Grã-Bretanha

    Arquivo Geral

    01/07/2004 0h00

    Mulher e mistério sempre combinaram. Na maioria das vezes as misteriosas são loiras, mas isso não impede que outras etnias se aventurem, por exemplo, pelo intrigante mundo da espionagem. Se isso tudo povoa e tempera o mundo imaginário das pessoas, na vida real a coisa pode ser bem mais emocionante.

    É o que mostra Corinne Souza em A Espiã de Bagdá. Mais que um romance instigante, aqui a autora apresenta a biografia da vida secreta de toda uma família, tendo como cenário inicial o Iraque do ano de 1958 – quando o “Rei Menino” foi assassinado.

    Nessa época, o pai de Corinne foi recrutado pelo Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha para ajudar nas investigações em Bagdá. A família toda viveu momentos de muita tensão até os anos 70, quando, finalmente, o pai da autora pôde voltar a Londres. Àquela altura, entretanto, ele se desentendeu com o Estado e a família voltou a enfrentar muitos problemas.

    Durante muitos anos, o Serviço Secreto tentou silenciar Corinne – cujo “crime” consistiu em recusar-se a seguir os passos de seu pai. Por ironia do destino, a imensa pressão que ela sofreu acabou por fazê-la ingressar na mesma carreira – só que com punho de ferro para defender seu pai e sua dignidade.

    Em outubro de 2002, quando finalizou este livro, Corinne publicou uma carta aberta ao diretor-geral do Serviço Secreto de Inteligência de Londres, Sir Richard Dearlove. Começava assim: “Este livro é sobre um espião, sua filha e sua tristeza. O espião era meu pai, Lawrence de Souza. Era o melhor dos homens. A tristeza é minha. Se ler minha história, compreenderá por que”.

    É uma abordagem que, em diversos momentos, poderá chocar o leitor. Nada mais natural. Corinne, graduada pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, teve a coragem de denunciar as exigências absurdas que um serviço secreto impingia a seus agentes.

    “Espero que a Coroa beba o petróleo que tanto quer”, conclui ela num dos capítulos. “Envergonhou o povo britânico, em cujo nome saqueou e destruiu o Iraque e o Curdistão”. Mistério, espionagem e um inabalável senso de dignidade como raiz de uma postura das mais corajosas. Isso também combina com mulhe

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado