Um momento diferente na vida da mulher. A descoberta de uma gravidez traz, com a alegria de ser mãe, muitos questionamentos e exige cuidado especial com a saúde. A assistência pré-natal, além de esclarecer dúvidas comuns às gestantes e permitir saber se tudo vai bem, é muito importante para reduzir a mortalidade materna e neonatal – que, no Brasil, vem se mantendo em patamar elevado nos últimos 20 anos.
Segundo dados divulgados pela Agência Saúde, do Ministério da Saúde, morrem anualmente no País mais de duas mil mulheres e 38 mil recém-nascidos por complicações na gravidez, parto ou aborto. Boa parte dessas mortes poderia ser evitada com garantia da atenção pré-natal e melhores condições de assistência ao parto. Hoje, uma das grandes preocupações do governo federal é com a qualidade dos serviços oferecidos às mulheres grávidas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em fevereiro deste ano, foi formado um grupo técnico responsável por avaliar o atendimento oferecido às gestantes e propor estratégias que garantam o direito da mulher a uma boa atenção no pré-natal e no parto. “A nossa preocupação é com a qualidade dessa atenção, pois o acompanhamento é muito importante para reduzir a mortalidade de mulheres durante a gravidez ou no parto, assim como a dos bebês”, reforça Verônica Batista, assessora-técnica da área de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.
AjustesO grupo técnico do ministério também é responsável por revisar e fazer os ajustes necessários no Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN). O PHPN busca assegurar a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, assim como da assistência ao parto e pós-parto (puerpério).
Dados mostram que, embora ainda haja muita dificuldade para realização dos procedimentos previstos na atenção pré-natal, houve um aumento no número de consultas de gestantes no SUS. De acordo com pesquisa do Datasus, em 1995 foi registrada uma média de 1,2 consulta pré-natal por parto realizado. Já em 2003, esse número aumentou para 5,1.
“Isso revela que as mulheres estão tendo mais oportunidades de acompanhamento durante a gestação. Esse crescimento, porém, não pode ser atribuído exclusivamente ao PHPN, mas também à expansão do programa Saúde da Família, que garante o atendimento das pessoas de modo geral, incluindo gestantes”, ressalta Verônica. “Como houve um crescimento da cobertura da atenção pré-natal, acredita-se que, para diminuir os índices de mortalidade, é preciso melhorar a qualidade dos serviços prestados”, acrescenta.