Quando era ainda mais menino, Antonio Carlos fugiu de casa para pedir emprego na Globo. Era a época em que estava ameaçado de ser despejado de sua casa em Nova Iguaçu, tinha problemas de saúde e não recebia os direitos por ser filho de Mussum. O tempo passou. Antonio Carlos virou Mussunzinho — esse já era seu apelido na escola — e realizou seu sonho. “Sonhava seguir a carreira do meu pai. Nunca vou esquecer essa oportunidade na novela das oito”, diz o ator, de 11 anos.
O garoto virou Farinha em América depois de Glória Perez ter visto seu drama na TV. De filho não reconhecido de Mussum, virou também ator famoso. Agora, além de dar autógrafos, reforma sua casa e, reconhecido pela Justiça, não precisa esconder de quem herdou o talento: “Recebo elogios dos muitos amigos do meu pai”.
Um dia desses no Projac, Mussunzinho foi surpreendido com a visita de Pedro Henrique, de 9 anos. O fã mirim é, na verdade, seu sobrinho. O menino só sossegou depois que o levaram para conhecer o tio, agora famoso, que segue a dinastia de seu avô humorista. “Ficamos amigos e ele me liga quase todo dia. A gente não tem culpa do que os adultos aprontaram”, conta Mussunzinho.
A única ponta de tristeza aparece quando o assunto são seus três irmãos, filhos também de Mussum, que não querem vê-lo: “Eles ainda não aceitam me conhecer, mas devem me ver na televisão”.
Outro sonho ainda não realizado é conhecer Renato Aragão, companheiro de seu pai em tantas aventuras de Os Trapalhões. “Admiro muito Renato Aragão. Queria falar isso para ele. Chico Anysio já veio falar comigo e Claudia Rodrigues me disse que meu pai era o melhor”, conta o Farinha de América.